O dia 11 de agosto é a data em que se comemora a criação dos primeiros cursos de ciências jurídicas no Brasil, os quais foram implementados nas cidades de Olinda e São Paulo. Em razão disso, este dia passou a ser dedicado aos profissionais da área de Direito, em especial ao advogado, motivo pelo qual a data passou a ser conhecida como o “Dia do Advogado”.

Neste dia, estudantes do curso de Direito se reuniam, almoçavam nos restaurantes e saiam sem pagar a conta. Esta tradição, conhecida como “Pendura”, perdeu a força com o tempo e hoje é vista, inclusive, com maus olhos pela população.

Mas o dia 11 de agosto, atualmente, apesar de ser o Dia do Advogado, é o exemplo marcante do desrespeito justamente a esses profissionais. Esta data é feriado no meio jurídico e os tribunais pátrios (TJ’s, TRF’s, STJ, STF etc) entram em recesso e fecham as suas atividades, em respeito ao significado deste dia. Mas o mesmo já não acontece nos escritórios de advocacia…

Quando eu era estagiário e chegava o DIA DO ADVOGADO ficava inconformado de ter que trabalhar naquela data. A revolta ficou ainda maior quando me tornei advogado e me dei conta de que, no dia do advogado, os tribunais estão fechados, mas os escritórios de advocacia estão abertos, funcionando a pleno vapor, sob o argumento de que: “a advocacia não para, temos clientes para atender, sempre”.

O respeito e o orgulho da profissão “advogado”, passa pelo respeito ao nosso dia. Não são poucos os exemplos de advogados que encontramos nos tribunais reclamando do Juiz que não o recebeu, do Promotor que foi deselegante em audiência, do serventuário que o ignorou etc.

Ora, como exigir respeito daqueles profissionais se nós mesmos não estamos nos respeitando? E o desrespeito “intra-advogados” não se resume a ignorar o nosso dia. Advogado desrespeita advogado quando o contrata para trabalhar no escritório, pagando salários incompatíveis com o exercício da profissão; quando contrata estagiário apenas para fazer serviços braçais, sem a intenção de ensinar aquele que virá a ser seu colega no futuro; quando “atravessa” uma causa e capta o cliente do colega; quando desrespeita o nosso Código de Ética da Advocacia; enfim, sempre que não “exerce a sua atividade com dignidade e independência, observando a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defendendo a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da Justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”, tal como previsto em nosso juramento.

A OAB/DF tem conseguido ultimamente resgatar o orgulho de ser advogado, mas nós precisamos fazer muito mais… Precisamos que os próprios advogados voltem a querer ser respeitados e que respeitem os seus colegas.

Desde quando montei minha própria banca, independente do volume de trabalho, faço questão de dar o feriado para todos que trabalham comigo. Se for o caso, fico eu de plantão, para atender à demanda, já que sou o sócio do escritório.

O respeito à nossa profissão, pelo qual tanto temos brigado ultimamente, passa por ai… Se nós não somos capazes de respeitar um dia em nossa homenagem, quem será capaz de nos respeitar?