Funcionário recebe a OAB/DF 63 mil em cerimônia emocionante

Na semana de comemoração do dia da advocacia e na véspera de completar 31 anos de idade, Luiz Fernando do Amaral subiu ao palco do auditório mais antigo da OAB/DF com um impecável terno azul. Com sorriso no rosto e emoção visível nos olhos, ocupou como protagonista a tribuna de onde, por dez anos, ouviu jovens e veteranos advogados e advogadas defenderem ideias e causas.

Luiz Fernando é funcionário da seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil desde 2010 e representou, nesta quinta-feira (15/8), uma turma de 63 advogados e advogadas que receberam, junto com ele, a carteira para advogar. “No primeiro momento em que me sentei neste auditório, há dez anos, eu não achei que estaria aqui um dia como advogado. Estou muito emocionado”, disse ele, que recebeu a inscrição de número 63.000. “Temos hoje a vida e a memória de 63 mil advogados e advogadas para fazer esta Casa forte”, destacou com orgulho.

Em seu discurso como orador, Luiz Fernando contou como passou de jogador de futebol à advogado. “Eu tinha um outro objetivo de vida, um outro sonho. Até 2010, eu era jogador de futebol profissional, mas já não possuía condições físicas devido a algumas lesões e aqui para a OAB/DF eu vim com o intuito de trabalhar e graças à oportunidade dada por aquela gestão inesquecível, que me abraçou e me passou muito conhecimento”, contou.

Fortemente emocionado, Luiz Fernando defendeu o Exame de Ordem e as prerrogativas da advocacia. “Muitos criticam o Exame da Ordem – e realmente temos colegas que não estão aqui conosco –, mas sabemos que, infelizmente, pela precariedade do ensino jurídico disponível no país, eles não reúnem condições de atender a sociedade. É uma responsabilidade enorme da OAB ter este crivo”, defendeu.

Exímio conhecedor do cotidiano de trabalho da seccional, “de A a Z” como ele próprio diz, o novo advogado convocou os colegas a integrarem “moralmente a Comissão de Prerrogativas”. “Nós temos na Casa um Conselho, uma diretoria, uma Comissão permanente e uma Procuradoria de defesa das prerrogativas, mas não é o bastante para o Distrito Federal. Somos hoje mais de 40 mil advogados e advogadas e nosso Estatuto prevê que a atuação da OAB não depende da provocação da parte. Então, sintam-se moralmente membros da Comissão de Prerrogativas. Se virem algum colega passando por dificuldades, atuem. Precisamos agir com o espírito que esta gestão tem atuado: de união em defesa das prerrogativas”. Confira aqui o discurso completo do orador.

Construindo sonhos
O paraninfo da turma, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ressaltou a necessidade de uma formação humanista do profissional da advocacia. “É essa formação que permite ao advogado fazer um enfrentamento diário, seja na defesa do cliente, seja na defesa da Constituição ou na do Estado Democrático de Direito. Para isso, precisamos ter altivez e independência. Precisamos ler a alma do cliente para fazer uma ampla defesa. O bom advogado é aquele que se entrega totalmente em cada causa que assume”, disse a uma plateia que ouviu os discursos emocionada.

Maria de Fátima Lopes de Alencar era uma das ouvintes. Aos 65 anos, ela surpreendeu os presentes na solenidade ao pedir, da plateia, em voz alta, que pudesse entregar a carteira ao seu genro, Marcos Antônio Rocha, de 60 anos. “A vontade de entregar a carteira veio no momento em que chamaram o nome dele, apenas senti o desejo de fazer isso”, contou ela, que é deficiente visual. “Ele é como um filho para mim e eu sei que isso foi conquistado com muita garra e sofrimento. Eu fiz parte disso “, completou emocionada.

Marcos Antônio é formado em Administração, mas sempre gostou da advocacia. “Desde criança, meu sonho era fazer Direito, mas só consegui agora. É a realização de um sonho”, comentou ele, que não esperava a reação da sogra na cerimônia. Além dela, toda a família do novo advogado prestigiou a cerimônia, incluindo as três filhas, um filho e uma neta bebê. “A conquista dele é uma realização para a toda a família”, comentou Cristiany Lopes de Alencar, com quem Marco Antônio é casado há 25 anos.

Próximo deles, outra nova advogada, Natália Martins, 22 anos, fez muitas fotos para tentar eternizar a ocasião. “Estou muito feliz com esse momento. É uma honra fazer parte desta Casa e também muita responsabilidade ser finalmente uma advogada. Vou fazer o meu melhor e espero gerar boas coisas para a sociedade”, disse.

Amor à profissão
Ao encerrar a solenidade, o presidente da OAB/DF, Délio Lins e Silva Junior, falou aos novos profissionais sobre o mercado de trabalho. “A dificuldade lá fora é grande, mas tudo o que é feito com muito trabalho e esforço é recompensado. Se vocês forem atrás conseguirão tudo. Nunca se esqueçam de ter ética em tudo o que fizerem. E, antes de tudo, tenham amor à profissão”, enfatizou.

A vice-presidente da subseção de Taguatinga, Michelle Castro de Araújo, reforçou o discurso do presidente destacando a importância das mulheres na advocacia. “É uma alegria representar a mulher advogada. A advocacia é sim uma profissão para mulheres”, destacou. Para ela, o bom profissional não deve apenas estudar para criar novas competências. “Os advogados e advogadas devem também cuidar de si e da área comportamental. Faça o melhor que puderem em todas as áreas e verão resultados positivos aparecerem e conquistarão um espaço no mercado de trabalho”, destacou.

Compuseram ainda a mesa da solenidade o diretor tesoureiro da Casa, Paulo Maurício Siqueira, a diretora tesoureira do Clube do Advogados, Nylmara Soares, presidentes e membros de subseções e de comissões temáticas da OAB/DF.

 

Comunicação OAB/DF
Texto: Ana Lúcia Moura e Neyrilene Costa (estagiária sob supervisão de Ana Lúcia Moura)
Fotos: Valter Zica


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