XVII ENJA: O perigo do endeusamento da Justiça

O perigo de endeusar políticos como salvadores é o mesmo da figura do “juiz herói”? É bom para a democracia e para a Justiça que um juiz seja encarado como herói pela população? O televisionamento dos julgamentos do STF no Brasil mudou a forma como a sociedade acompanha a Justiça, isso foi positivo? Esses foram os principais assuntos debatidos pelo advogados criminalistas Nélio Machado e Dora Cavalcanti.

Durante sua palestra, Nélio Machado destacou que a Ordem tem que criar comissões em defesa da Constituição Federal. “Estamos entrando em discussões estéreis e deixando de lado aquilo o que realmente importa”. O criminalista criticou o que chamou de “República de Curitiba”. “Hoje há receio entre o contato de advogados, uma vez que um deles pode ser delacionista. Nas audiência de delação não se discute absolutamente nada. E a imprensa, de forma desavergonhada, omite essa informação de tudo e todos. Aqueles vídeos que vemos nos telejornais são todos editados e se exclui os pormenores”, afirmou.

“Jovens advogados, o que é melhor? Voltar à velha advocacia, aquela de Rui Barbosa, ou essa atual, fruto da delação premiada?”, questionou Nélio Machado. “Estamos vivendo um quadro sombrio, uma situação dantesca. E vocês, jovens advogados, precisam se rebelar. A advocacia está se transformando num compadrio. Precisamos urgentemente superar isso e enfrentar com veemência o juiz-herói, aquele que é premiado e ovacionado por punir em demasia”, concluiu.

A criminalista Dora Cavalcanti falou sobre os prejuízos do endeusamento da Justiça. “Em tempo de Lava-Jato, estamos contribuindo indevidamente para jogar a sujeira para debaixo do tapete. Nós, advogados, nesse mundo da Justiça online, temos que lutar para vencer as incompreensões que nos são repassadas cotidianamente pela mídia”, pontuou. Ela avaliou a transparência como importante e necessária, mas não da forma como nos tem sido imposta. “O juiz, o membro do tribunal, não pode fazer parte de um espetáculo televisivo, e é isso que acontece hoje no Brasil”, sustentou.

O efeito causado pelos “magistrados popstar” foi outro tema abordado pela criminalista. Ela destacou que a simples presença dessas figuras em algum evento, por exemplo, causa alvoroço. “Certa vez participei de um seminário que contou com a presença de um ministro da atual composição do STF. Os palestrantes abordavam assuntos importantes, no entanto, a simples presença dele desviou a atenção de tudo e todos. Nós, advogados, não podemos nos iludir com isso”.

Dora Cavalcanti finalizou sua palestra aconselhando os jovens advogados. “Vocês precisam estar certos de que estão na profissão certa. A advocacia é muito difícil, especialmente a criminal. Não podemos entrar nessa ótica infantil atualmente colocada de que um é o salvador do mundo e os demais não prestam. Entenda sua vocação e nunca abra mão de repensar”, concluiu.


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