Na sessão extraordinária do Conselho Pleno da OAB/DF que decidiu pela intervenção na Caixa de Assistência dos Advogados (CAA/DF), dia 21, a presidente Estefânia Viveiros proferiu discurso no qual fez uma avaliação dos dez meses de sua gestão e da necessidade da medida para sanear as contas da instituição. No discurso, Estefânia ressaltou que os problemas da CAA/DF se arrastam há anos,  não se buscando, com a intervenção, pôr em dúvida a conduta da atual administração. Leia o pronunciamento da presidente Estefânia Viveiros, na íntegra: Gostaria, neste momento, de dirigir estas palavras a todos os colegas que depositaram o voto de confiança em nossa administração. Impossível iniciar este discurso sem lembrar a origem de tudo: a chapa Movimento Pela Ordem. Mais do que símbolo de uma eleição, “Pela Ordem” evoca um chamamento, e foi esse o sentido de nossa campanha.  Naquele momento, éramos os últimos em todas as pesquisas. Ninguém acreditava que uma chapa encabeçada por uma advogada tida como inexperiente chegasse ao final da disputa. Chegamos e vencemos, contra todos os prognósticos. E por que vencemos? Acredito, piamente, que vencemos porque tínhamos uma PROPOSTA DE TRABALHO para a OAB do Distrito Federal.  Desde que tomei posse, minha carreira, meus projetos pessoais – tudo foi relegado a um segundo plano. Para chegar aonde cheguei, estava claro desde o início, teria de trabalhar em dobro, porque as cobranças seriam em dobro.  Não tenham dúvida, senhoras e senhores conselheiros e membros da Diretoria: por mais que trabalhemos, que abdiquemos de nossos escritórios em nome da Seccional, teremos que nos esforçar mais e mais.  Administrar uma instituição como a OAB exige bem mais do que uma simples conduta corporativa. Além dos advogados, há toda uma sociedade a exigir de nós exemplos de austeridade administrativa e de correção naquilo que pensamos e fazemos.  Mas administrar a OAB representa também um daqueles desafios que dignificam a nossa carreira. Posso afirmar que está sendo uma experiência com a qual jamais sonhei. E posso também afirmar que quanto mais participação vejo, mais estimulante ela se torna.  Coloco nessa experiência contatos, encontros, palestras, seminários, conversas, amizade, muitas amizades, companheiros de perfis tão fortes quanto nítidos, confraternização, pressões, contrapressões, batalhas pequenas e grandes, vitórias, pequenas decepções, orgulho, civismo, solidariedade, grandeza. Aprendi, meus amigos, que a Ordem não pode ser capricho pessoal de ninguém, muito menos de sua presidente.  Agora, aqui estamos em um momento difícil, como foi igualmente difícil para todos nós constatar a precariedade financeira da instituição logo no primeiro dia de mandato. Tenho dito e aqui repito: se tivesse encontrado a OAB sem um centavo no cofre, mas ao menos com as contas em dia, nada disso seria necessário.  A meta que mobiliza os esforços de quem assume a responsabilidade de administrar é a de maximizar os benefícios e minimizar os custos de operação da vida institucional. Nesse sentido, fizemos – e estamos fazendo – o que julgamos necessário para recolocar as contas da Seccional em dia. Risco calculado, pagamos, inclusive, o preço do desgaste pessoal quando atualizamos os valores das anuidades dos advogados.  A situação da Caixa de Assistência dos Advogados não era diferente. Braço social da Seccional, a Caixa precisava de cuidados redobrados. Não se busca, aqui, apurar nem apontar responsabilidades sobre a situação da entidade. O que se busca é solucionar os problemas mais urgentes para que os associados possam continuar a receber assistência sem sustos.  Disse “problemas mais urgentes” porque sabemos que os problemas são tantos e não vai ser de uma hora para outra, como um passe de mágica, que a Caixa estará totalmente saneada. Se assim fosse, não teria mais uma vez me exposto a esse desgaste que vem se arrastando há meses, envolvendo pessoas sobre as quais não recai nenhuma sombra de suspeita sobre sua conduta moral e ética.  Insisto: não se busca, aqui, apontar culpados, julgar pessoas. Longe disso. O que se quer é resolver o problema da Caixa de Assistência dos Advogados. Para mim, pessoalmente, trata-se de dar uma demonstração objetiva aos associados da nossa capacidade de administrar em tempos de crise. Fomos eleitos porque representamos mudança.  A hora é de decisão, para que possamos, finalmente, executar o circuito das mudanças. Mudar é avançar. Mudar é crescer, inovar, sinalizar novos campos de atuação. Mudar é também uma decisão estratégica, de racionalidade e de planejamento. Sinto-me integrada ao grupo daqueles que apostam no fortalecimento crescente da nossa OAB e na certeza de que ela há de ter papel cada vez mais preponderante na defesa dos advogados do Distrito Federal.  Por isso, não há por que temer os novos desafios, buscar novas inspirações, avançar sempre na trilha das mudanças, não só na defesa institucional, mas também, e constantemente, na defesa intransigente do exercício profissional. Essa é a razão pela qual não posso permitir ser conduzida pelo caminho da improvisação, da pressa e da desagregação.  Ao contrário, venho aqui conclamar a todos a se perfilarem diante da bandeira do respeito, da cordialidade, do companheirismo, da solidariedade, enfim, da bandeira da Ordem.  Muito obrigada.