Festejar o Dia do Advogado sem pagar a conta do restaurante, como ocorre tradicionalmente em várias cidades do Brasil, é uma prática que um grupo de estudantes de Direito pretende abolir em Brasília. Pelo sétimo ano consecutivo, a turma substituirá o calote convencional por uma ação beneficente. É o chamado Pendura Social, projeto que tem como finalidade promover a cidadania, em vez de perpetuar uma tradição negativa do século 19.A OAB/DF, como em todas as edições anteriores, apoiará o evento. “Não estamos só aderindo, vamos participar ativamente”, diz a presidente da entidade, Estefânia Viveiros. “É preciso incentivar práticas que estimulem o respeito, a educação e a consciência social”. Este ano, a ação beneficente ocorrerá em 10 de agosto, sexta-feira, véspera do Dia do Advogado. Será oferecido um churrasco para 1,3 mil crianças carentes, na faixa etária de três a oito anos, no Zoológico de Brasília.As crianças fazem parte de 12 creches do Distrito Federal. A expectativa é de que 80 alunos de diversas faculdades de Direito colaborem. A OAB/DF auxiliará no transporte dos assistidos e na divulgação. O Pendura Social depende do apoio de colaboradores para ter sucesso. Ano passado, com auxílio de 12 empresas parceiras, foi possível oferecer um almoço com 360 quilos de carne, 150 de arroz e 120 de feijão. Foram beneficiadas 1,2 mil crianças.ImportânciaA coordenadora do projeto, Aline Karla Rocha de Souza, conta a importância da ação. “Primeiro pela questão social, convidamos as pessoas a participarem conosco”, diz. “Segundo, para tirar a idéia ruim que recaía sobre o advogado e o estudante de Direito.” O dia da pendura surgiu na metade do século 19, quando os proprietários de restaurantes convidavam acadêmicos de Direito, fregueses habituais, para brindarem a data. O dia 11 de agosto de 1827 marca também a inauguração do primeiro curso de ciências jurídicas no Brasil, aberto pelo imperador Dom Pedro I.ReclamaçõesNo decorrer dos anos, o Dia do Pendura começou a ser sinônimo de baderna. Comerciantes passaram a reclamar das grandes proporções dos calotes e estudantes foram parar em delegacias por recusarem a pagar a conta. Na opinião de Rodrigo Pierre de Menezes, outro coordenador do Pendura Social, o projeto tem ajudado a transformar a tradição. “Em Brasília não se ouviu falar em calote nos últimos dois anos”, diz. “A nossa gratificação é ver a alegria da criançada com as brincadeiras que fazemos no dia”, completa.