O brasiliense que precisar de atendimento ambulatorial pela primeira vez no Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga, só conseguirá marcar a consulta para 2008. Isso, se conseguir agendar o atendimento. A triste realidade foi comprovada nesta segunda-feira (20) pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF, que realizou uma inspeção no hospital, o único da rede pública do Distrito Federal destinado a pacientes com distúrbios mentais.

O objetivo da visita foi verificar as condições oferecidas às pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno psíquico, em menor ou maior gravidade. A principal constatação é de que a rede de saúde mental do DF não possui estrutura para atender a demanda. Municípios do Entorno, tanto de Goiás como da Bahia e de Minas Gerais, sobrecarregam o atendimento. Além disso, o São Vicente de Paulo carece de infra-estrutura, recursos humanos e material hospitalar de qualidade.

“A falta de marcação de consulta significa falta de atendimento médico”, diz o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF, Jomar Alves Moreno. “O cidadão não pode chegar aqui e receber a informação de que só será atendido no ano que vem”, completa. Segundo o diretor do hospital, Ricardo Lins, 15 mil pessoas por ano ficam sem receber atendimento no ambulatório. Sendo que quatro mil são atendidas todos os meses. “Falta estruturar a rede de saúde mental”, reconhece Lins.

Inspeção A inspeção da OAB/DF durou cerca de duas horas. A partir da visita, será elaborado um relatório sobre a situação do hospital. O documento será encaminhado para o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, para o Secretário de Saúde, José Geraldo Maciel, e para o Ministério Público do DF. Essa não é a primeira vez que o hospital é inspecionado. Em novembro do ano passado, deputados distritais verificaram a situação de precariedade dos funcionários, que trabalhavam com guarda-chuvas abertos dentro do prédio em virtude de goteiras e alagamentos.

Em 25 de maio deste ano o governador anunciou a reforma do telhado da ala de internação. A colocação da nova cobertura deve custar R$ 660 mil e pretende abranger uma área de 3,3 mil metros quadrados. A unidade de saúde existe há 31 anos e possui cerca de 109 pacientes internos. Entre os membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF estavam presentes: Jomar Alves Moreno, Olavo Viana, Elaine Starling, Antonio Rosa e Alessandro Tertuliano.