Entidades de classe criam programas de inclusão digital

Pergunte a qualquer um desses gurus de gestão organizacional, e ele dirá: sem acesso à informática, é cada vez mais difícil alguém sobreviver no atual mercado de trabalho. Muitas entidades de classe já se deram conta dessa realidade. E estão implementando programas de inclusão digital que vão ajudar milhares de profissionais a conhecerem todas as possibilidades de relacionamentos e negócios que podem surgir a partir da rede mundial de computadores.  O movimento é novo e conquistou a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Distrito Federal (OAB-DF). A instituição foi a primeira no Brasil a anunciar, no ano passado, um projeto de inclusão digital que permite que qualquer advogado ou escritório tenha o próprio site ­ com o domínio .adv.br, que caracteriza os profissionais do Direito ­ e 10 contas de e-mail. Tudo o que eles precisam é de um computador com acesso à internet. “Todas essas ferramentas dão identidade aos advogados e facilitam a comunicação entre eles e os clientes”, explica Rodrigo Badaró, presidente da comissão de Direito e Informática da OAB-DF.  O interessante é que o advogado não tem liberdade somente para escolher entre os diferentes layouts disponíveis para as páginas. Também pode alterar, quando quiser ou precisar, de forma independente, as informações do site: notícias, enquetes, artigos, currículos, agenda de eventos, formulários e muito mais. Além disso, o site do profissional ou escritório ganha um link no portal da OAB-DF (www.oabdf.org.br).  É o caso da Aragão Advogados Associados. No site, o advogado e professor universitário João Carlos Aragão aproveitou para publicar artigos e material de aulas. “Eu mesmo posso fazer a atualização da página. Não é fácil, mas tenho o suporte da empresa que administra os sites”, diz. Projetos parecidos começam a andar no Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) e na Associação Comercial do Distrito Federal ­ que querem dar a chance de visibilidade às pequenas e médias empresas e profissionais.  No Cofeci, o trabalho começou com um recenseamento, por meio da internet e de fichas cadastrais dos corretores de imóveis em todo o país. “Aqueles que nos enviarem seus dados e endereço eletrônico vão poder receber uma conta de e-mail do Cofeci e um site simples e gratuito”, antecipou o secretário da instituição, Curt Beims. O recenseamento foi concluído e agora seus dados estão sendo processados. Na página eletrônica, os corretores de imóveis poderão colocar dados profissionais sobre si mesmos ou sobre o escritório onde trabalham.  O site também estará disponível para a inserção de fotos, croquis e vários outros tipos de informação sobre apartamentos e casas à venda. A idéia é incentivar, lentamente, os internautas a usarem a rede mundial de computadores para procurar imóveis. “Nos Estados Unidos, a internet corresponde a 18% das vendas. No Brasil, o número fica entre 2% e 3%”, disse Beims.  Depois do recenseamento, começa o processo de construção de páginas. Já na Associação Comercial do DF, o trabalho de divulgação entre os integrantes já começou e tem o objetivo de alcançar 300 empresas. “É a chance de o pequeno e o médio comércio estarem presentes na web”, conta o vice-presidente da associação, Fernando Adriano. Basta visitar o site da Associação (www.acdf.com.br) para saber as condições do serviço e já pedir a criação das páginas e contas de email. “O site é uma forma de incentivar até o comércio eletrônico”, diz Fernando.  A implementação dos sites está a cargo da WebAdvisor, a mesma empresa responsável pelos sites dos advogados da OAB-DF. A tecnologia também está invadindo algumas atividades típicas de algumas profissões. Na OAB-DF, a criação de uma infra-estrutura de chaves públicas (ICP) própria já permite o envio de mensagens que têm validade jurídica. De um texto comum a uma complexa petição, os e-mails vêm criptografados. Dessa forma, as mensagens recebem um certificado digital, o qual garante que elas foram realmente enviadas por um advogado.  Além disso, somente o remetente e o destinatário têm acesso ao conteúdo da mensagem ­ ela não pode ser interceptada por hackers durante o processo de envio ou recebimento. A meta é que o ICP da OAB-DF seja usado para comunicação entre o profissional e os principais foros e tribunais do Brasil. Recentemente, os advogados associados à OAB-DF também passaram a poder acompanhar processos pela internet.  O site www.instanciadigital.com.br faz o monitoramento das publicações feitas nos Diários Oficiais do país. Criado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o endereço www.portalmedico.com.br oferece vários serviços para a categoria. Todos os cadastrados recebem, de graça, uma conta de e-mail com o domínio do CFM e acesso à tabelas de honorários e custos de procedimentos médicos, por exemplo. Os recém-formados também podem buscar emprego e usar o portal para tornar mais ágil o processo de inscrição no conselho. “Eles podem até acompanhar como está o andamento da inscrição”, conta Goethe Ramos, coordenador do centro de informática do CFM.  Diante de tantos serviços, vem a pergunta: e os médicos também vão poder ter uma página profissional? Não tão cedo, diz Ramos. Trata-se de questão delicada. “É preciso criar normas para que as pessoas não usem as páginas feitas pelo CFM para apresentar ofertas perigosas ou curas milagrosas”, explica. “Até os links mostrados no Portal Médico têm de ser analisados com cuidado”, finaliza. (Matéria reproduzida do jornal Correio Braziliense, edição de 12/01/2005)


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