OAB/DF entrega carteiras a 45 novos advogados e advogadas e anuncia entrega de projeto sobre violência doméstica à CLDF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

OAB/DF entrega carteiras a 45 novos advogados e advogadas e anuncia entrega de projeto sobre violência doméstica à CLDF

Em cerimônia realizada na manhã desta quinta-feira (4), a Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) entregou carteiras profissionais a 45 novos advogados e advogadas. O evento, que marca o início da trajetória profissional dos compromissandos, serviu de palco não apenas para a celebração familiar, mas também para o anúncio de novas medidas institucionais de combate à violência contra a mulher.

A mesa diretiva, composta majoritariamente por mulheres, foi liderada pela copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, e contou no desenvolvimento da cerimônia com a presença do presidente da Seccional, Paulo Maurício (Poli).

Poli entrega a carteira à oradora da turma, Bruna Muinhos Barnes

Durante o encerramento, Poli revelou que a diretoria seguiria da solenidade diretamente para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O objetivo: entregar ao presidente da Casa, deputado Wellington Luiz, um projeto de lei que obriga a comunicação à Ordem de qualquer caso de violência doméstica envolvendo advogados — seja na condição de vítima ou de agressor.

“A causa das mulheres é muito importante e temos procurado atuar firmemente. Vamos entregar um projeto de lei para que a gente tome as providências ético-disciplinares, acompanhe o processo e dê suporte às mulheres nessa situação”, afirmou Poli. O presidente destacou ainda o orgulho da OAB/DF em ser a primeira instituição a determinar paridade de gênero oficial em todos os cargos. “Mulher tem que ter vez e voz, e aqui na Ordem é dessa forma”, completou.

O papel da família e a “primeira advogada”

A oradora da turma, Bruna Muinhos Barnes, de 23 anos, emocionou o público ao atribuir a conquista da carteira — carinhosamente chamada de “vermelhinha” — ao suporte familiar. Em seu discurso, Barnes ressaltou que, para muitos, o ensino superior parecia um “sonho inalcançável” sem esse apoio.

“De certa forma, entendo que nossa família foi a nossa primeira advogada, que lutou e batalhou por nossos sonhos”, disse Barnes. Ela definiu a profissão não como um desejo efêmero de vencer causas, mas como a responsabilidade de tomar para si o direito do outro. “Advogar é defender os interesses daqueles que confiam em seu trabalho.”

A paraninfa da turma, Verônica Quihillaborda Irazabal Amaral, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Trabalho, reforçou o coro sobre a função social da profissão. “Hoje a sociedade civil ganha um reforço de peso na luta pela justiça social, pelos direitos humanos e pela busca da concretização das promessas constitucionais”, declarou.

Mobilidade social e descentralização

Um dos momentos de maior destaque sobre a realidade da advocacia no Brasil veio da fala do secretário-geral adjunto da Subseção do Riacho Fundo 1 e 2 e Recanto das Emas, Paulo Silas da Cunha Moura. Ao relembrar que recebeu sua carteira há seis anos no mesmo auditório, Silas relatou sua trajetória de ascensão social através do direito.

“Sou o primeiro advogado da minha família. Fiz faculdade por causa do FIES; se não fosse programa do governo, não tinha formado”, revelou Silas. Ele rebateu a ideia de que a OAB seria uma instituição elitista ou política, afirmando que conseguiu estabelecer seu escritório “sem ajuda de nenhum padrinho, a não ser da OAB”.

O tema da descentralização foi endossado pelo presidente da Comissão da Advocacia Jovem da mesma Subseção, Danilo Soares, e pelo presidente Poli. Ambos enfatizaram que a OAB/DF possui 14 subseções para garantir que não haja distinção entre o advogado da capital e o do interior. “A advocacia não está saturada. O mercado precisa de advogados bons”, aconselhou Soares.

Violência de gênero

A conselheira seccional Mariana de Brito Tripode aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre os índices de feminicídio. Classificando a semana como “especialmente triste para as mulheres brasileiras”, Tripode convocou os novos advogados homens a se aliarem na luta contra a violência de gênero.

“Não estamos falando de uma militância, estamos falando de um dado muito triste e real. É um problema de toda a nossa sociedade”, afirmou a conselheira, convidando os recém-aprovados a integrarem as comissões temáticas da Ordem.

Rito de passagem

Ao finalizar a cerimônia, a copresidente Roberta Queiroz lembrou aos novos profissionais que a advocacia exige resiliência diante das incertezas iniciais e do avanço de tecnologias como a inteligência artificial. “A IA aprimora, mas não substitui”, garantiu.

Paulo Maurício encerrou o evento lembrando da responsabilidade imediata que a carteira confere. “Vocês saem agora habilitados para, às 14h, ir ao Supremo Tribunal Federal fazer uma sustentação oral. Vocês agora vão falar pelas pessoas”, concluiu o presidente.

A mesa diretiva contou ainda com a presença das diretoras da OAB/DF Desirée Sousa (Comunicação) e Nathália Waldow (Comissões), da conselheira seccional Amélia Maria Motta da Hora e da secretária-geral adjunta do Conselho Jovem, Melissa Duarte Barbosa.

Fotos: Alex Bandeira

Veja o álbum de fotos desta cerimônia aqui

Assista na íntegra esta cerimônia no Canal Oficial da OAB/DF no Youtube

Jornalismo OAB/DF

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