Diretora da Mulher da OAB/DF alerta para escalada da violência e defende investigação de casos como feminicídio desde o início - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Diretora da Mulher da OAB/DF alerta para escalada da violência e defende investigação de casos como feminicídio desde o início

A diretora da Mulher da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), Nildete Santana de Oliveira, concedeu entrevista ao Balanço Geral DF (R7) em reportagem que aponta crescimento de 27% nos feminicídios no Distrito Federal.

O conteúdo informa que: “Em 2025, foram registrados 28 assassinatos de mulheres por razão de gênero, aumento de 27% em relação ao ano anterior. Apenas no primeiro mês de 2026, o DF já contabiliza três casos. Os dados reforçam um cenário alarmante, em que ameaças, controle e agressões evoluem para crimes extremos.”

Dentre os relatos de vítimas, “uma mulher que viveu cinco anos sob ameaças contou que só conseguiu romper o ciclo após registrar ocorrência e obter medida protetiva”.

A matéria destaca a importância de denunciar casos de agressões contra mulheres aos primeiros sinais e reforça o papel de redes de apoio e canais de denúncia, como o Disque 180, delegacias especializadas e aplicativos de proteção, além da necessidade de endurecimento da legislação.

Nesse contexto, Nildete afirmou que a violência contra a mulher deve ser entendida como uma urgência social, presente em diferentes formas no cotidiano, desde piadas e assédio moral, também a desigualdade salarial e a violência política de gênero. A diretora defende que investigações policiais sejam instauradas desde o início como feminicídio, para que a apuração considere a perspectiva de gênero e não perca elementos que podem ser determinantes para esclarecer autoria e circunstâncias do crime.

Ela também apontou que muitas vítimas deixam de denunciar por medo de julgamento e de impunidade, além do receio de sofrer retaliações, como perseguição e prejuízos profissionais. Para a diretora, o aumento de pena, por si só, não previne o feminicídio; a prevenção depende de medidas anteriores, já que a violência tende a escalar. Por isso, ressaltou a necessidade de uma rede de apoio, contando com o Estado e também de organizações da sociedade, para fortalecer as mulheres e dar condições para que denunciem.

Destaques da entrevista em aspas da diretora Nildete:

“A verdade é a urgência social que a gente vive hoje… Por conta dessa prática de violência contra a mulher e de tantas vertentes de violência.”

“São várias formas de violência praticada contra a mulher. O importante, o DF faz isso, é começar a investigação como feminicídio.”

“O feminicídio tem a questão de gênero que precisa ser observada sob essa ótica. Então quando você começa a investigação sob a perspectiva de gênero, você não perde alguns elementos.”

“Ela (a mulher) tem medo de ser julgada, ela tem medo do agressor não ser punido, ela tem medo de perder o emprego, de ser transferida.”

“Aumentar a pena não evita o feminicídio, porque a mulher já está morta. O que evita o feminicídio são as medidas anteriores ao feminicídio, porque a violência contra a mulher escala.”

“É muito fundamental que essa rede de apoio (…) para que elas tenham coragem de denunciar. E realmente o melhor caminho é a denúncia.”

Acesse este conteúdo na página do R7 para assistir a reportagem na íntegra

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