A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) realizou, nesta segunda-feira (4), por meio da Diretoria de Mulheres e em parceria com a Caixa de Assistência da Advocacia (CAADF), o talk show: “Os desafios contemporâneos da maternidade e da maternagem em conexão com o desenvolvimento pessoal e a construção da carreira”. No evento, mães de advogados e advogadas foram homenageadas pelos dirigentes da Ordem.
O evento encerra a programação especial em homenagem às mães, que teve início na parte da manhã com uma ação social no Sol Nascente (leia mais aqui). Com a presença de advogados, advogadas e suas mães, o auditório Sepúlveda Pertence deu espaço à emoção, à música e a um rico momento de trocas.
A abertura do evento ficou por conta do coral Vozes em Pauta que, após executar o Hino Nacional, realizou uma emocionante e afinada apresentação.


Compuseram o dispositivo de honra: a copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz; a secretária-geral do Conselho Federal da OAB, Rose Morais; o diretor-tesoureiro do Conselho Federal, Délio Lins e Silva Júnior; o conselheiro federal Newton Rubens; e também da Seccional: a diretora de Mulheres, Nildete Santana de Oliveira; a diretora de Igualdade Racial, Tuanne Costa; a diretora de Comunicação, Desirée Sousa; a diretora da Jovem Advocacia, Sofia Gomes; a secretária-geral da Caixa de Assistência dos Advogados do DF, Graciela Slongo; a conselheira seccional da OAB/DF, Liliana Marques; e a presidente da Subseção de São Sebastião, Patrícia Landers.
Abertura

A copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, deu as boas-vindas aos presentes e aproveitou para parabenizar a iniciativa. “É uma alegria muito grande receber vocês na nossa Casa, hoje, com tanto amor e tanto carinho, para homenagear a origem de tudo na nossa vida, que são as nossas mães. O mês de maio é muito especial para cada um de nós; afinal de contas, o nosso coração já bateu dentro de um ventre materno e é isso que transforma a nossa vida todos os dias”, disse.

A secretária-geral do Conselho Federal da OAB, Rose Morais, destacou que estar presente na OAB/DF — que tem acolhido a advocacia brasileira enquanto o edifício do CFOAB está em reforma — possui um significado especial. “Sinto-me realmente uma advogada que pertence a esta Seccional”, afirmou. Para ela, como filha e mãe, participar da homenagem é muito representativo. “Tenho a concepção exata de que são essas mães aqui presentes que nos sustentam no dia a dia e nos dão a certeza de que estamos construindo um caminho melhor para todas as pessoas”, concluiu.

Nildete Santana de Oliveira, organizadora do evento, agradeceu a presença de todos: “É um evento muito simbólico para nós, muito importante, que conseguimos fazer para todas vocês de coração e com muito carinho. Eu agradeço a dedicação que vocês têm e muito obrigada por estarem aqui”.

Délio Lins e Silva Júnior agradeceu o convite e cumprimentou as homenageadas. “Eu fico sempre muito alegre em participar de qualquer evento para o qual sou convidado aqui na OAB/DF, mas hoje mais ainda. Sejam muito bem-vindos e muito bem-vindas”, afirmou.
Homenagens




Representando toda a advocacia, receberam um certificado de homenagem a senhora Maria de Lourdes Lins e Silva e Alice Carolina Fonseca de Oliveira Lins e Silva (mãe e esposa do diretor-tesoureiro do CFOAB, Délio Lins e Silva Júnior); a mãe do presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira (Poli), senhora Regina Coeli Farias Braz Siqueira; a mãe do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nauê Bernardo, senhora Rosi Mary Teixeira Matos; e a secretária-geral do CFOAB, Rose Morais. As mães dos presidentes e copresidentes das subseções também foram homenageadas e receberam certificados.
Talk Show


Roberta Queiroz, que além da abertura também participou do painel, compartilhou, a partir da perspectiva de filha, o cuidado e o valor da maternidade. “Hoje eu faço um papel de mãe da minha mãe: de alimentar, cuidar, dar banho, trocar, colocar para dormir, dar o café da manhã, o almoço e o jantar. Faço tudo o que posso por ela, porque foi isso que ela fez um dia por mim; é nisso que a gente entende o que é o amor de mãe”, destacou.

Nildete Santana de Oliveira aproveitou para homenagear as mulheres que vieram antes dela e as mulheres negras. “Quero agradecer à minha ancestralidade: à minha avó, dona Francisca; à minha avó, dona Felícia; à minha mãe, dona Gil; e às muitas mulheres que nos antecederam. Quero deixar claro que, nesta Casa, além da equidade, nós também motivamos e respeitamos a participação de mulheres negras. Por isso, destaco a presença da doutora Cláudia — que é uma mulher negra — e de mulheres pardas, pois precisamos estar na frente e ainda precisamos chamar a atenção para isso, para que todas as mulheres possam ser representadas”, afirmou.

A advogada Núbia Aviani, profissional que atua na área de contabilidade e gestão de contratos, compartilhou o desafio de ter sido mãe ainda na adolescência e a motivação que seus filhos sempre representaram no desenvolvimento de sua carreira, além da dificuldade de lidar com a culpa materna. “Carreguei durante muito tempo essa culpa de não dedicar o tempo que eu gostaria para os meus filhos, de não estar tão presente no dia a dia. Isso não foi possível naquele momento. Muitas mulheres passam por isso porque queremos entregar tudo, fazer tudo com perfeição. Uma reflexão que eu trago hoje — em um momento como este, com tantas mulheres e homens aqui — é: para que toda essa cobrança? Hoje posso falar isso a partir da maturidade da minha vida: não precisamos ser perfeitos em tudo”, relatou.
Para ela, o cuidado que veio com a maternidade também se reflete em sua forma de trabalhar. “Durante muito tempo não foi sobre carreira, foi sobre maternidade. Ter esse olhar para o próximo — para o colega, para o colaborador — e se colocar no lugar do outro faz muita diferença. Colho hoje algo que me traz muita alegria: as pessoas que vi crescendo, que passaram pelo escritório, que saíram há mais de 10 ou 12 anos e de quem recebo uma mensagem, um convite para um café ou para um casamento, contando-me como está a vida. Acredito que a recompensa, principalmente na carreira, é sobre a diferença que você faz na vida das pessoas e os vínculos que você cria”, destacou.

A coordenadora da Comissão Temática das Mulheres/ANAFE, Simone Ambrósio, falou sobre a sobrecarga feminina e ressaltou que o Dia das Mães vai além das homenagens. “O Dia das Mães é comemoração, mas é também luta pelos direitos das mulheres, das mães e das meninas, para que seja criado um futuro diferente para essas pessoas”, reforçou.

Para a advogada-geral do Senado Federal, Gabrielle Tatith Pereira, a maternidade é uma forma especial de amor que traz muitos aprendizados pessoais para quem se dedica. “Não precisa ser uma maternidade biológica, mas é uma forma muito especial porque você se compromete a formar um ser humano e a entregá-lo para a sociedade”, explicou.
No entanto, segundo ela, é importante enfatizar que a responsabilidade precisa ser compartilhada. “Em tese, há uma corresponsabilidade, mas sabemos que nem sempre ela é exercida na mesma medida. Estatisticamente, as mulheres assumem grande parte desse cuidado. Sabemos também que a nossa sociedade não valoriza nem remunera essa ética de cuidado que aprendemos desde que nascemos e que, consciente ou inconscientemente, acabamos por reproduzir essa desigualdade na criação das crianças”, pontuou.

Por fim, a assessora especial de Diversidade e Inclusão da Advocacia-Geral da União (AGU), Cláudia Trindade, contou que, para ela, a maternagem começou com o falecimento dos pais, ainda durante a faculdade. Naquela época, ela precisou se dedicar aos cuidados dos irmãos mais novos. Ela também foi apoio na criação do sobrinho.
Para ela, apesar da força e resiliência das mulheres, é preciso, em muitas situações, abrir espaço e delegar o papel do cuidado. “Não tem nada que saibamos fazer que os nossos companheiros não possam aprender. Não há nada; mas temos uma tendência a achar que só nós daremos conta, só nós saberemos cuidar direito, só nós conseguiremos levar ao médico. Então, também temos que aprender a não nos cobrar”, destacou.
Segundo Cláudia Trindade, participar da homenagem organizada pela OAB/DF também é destacar a força das mulheres que se desenvolvem a cada desafio. “A Cláudia de 20 e poucos anos, no último ano da faculdade, não tinha a opção de não dar conta. Acho que é isso que move e que traz o verdadeiro sentido. Não é romantizar a posição de maternagem. É dizer: nós somos fortes, sim; o amor maternal existe e é um amor absoluto. Eu acredito nisso, mas acho que temos que usar isso como força para a nossa vida”, concluiu.
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Fotos: Alex Bandeira e Vinícius Costa
Jornalismo OAB/DF
