No Sol Nascente, nesta manhã de segunda-feira (04), foi oferecido café da manhã; distribuídas cestas básicas; prestadas orientações jurídicas; kits de saúde bucal e informações sobre cuidados com a saúde; também apoio para formatação de currículos a pessoas em vulnerabilidade social

Na Paróquia Santa Clara de Assis, no Sol Nascente — região administrativa que ultrapassou a Rocinha em número de domicílios, tornando-se a maior comunidade do país —, a chegada das famílias começou por volta das 9h. As mães vieram a convite de uma atividade da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) para uma manhã de atenção à saúde, bem-estar, empregabilidade e orientações jurídicas.
O evento foi organizado e realizado pela Diretoria de Mulheres da OAB/DF; Diretorias de Mulheres das Subseções e Caixa de Assistência dos Advogados (CAADF), com parceria junto ao Sest Senat, que ofereceu cuidados de higiene bucal, aurículoterapia e aferição de pressão.


Para o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, a iniciativa reforça o papel da entidade para além da defesa da advocacia. “Além de uma associação de classe, somos representantes da sociedade. Queremos mostrar que a OAB é solidária e participativa, especialmente neste mês das mães”, afirmou Poli. Ele destacou o respeito à comunidade e o plano de expansão institucional do atendimento da OAB/DF na região: “O Sol Nascente tem muito do nosso respeito. Em breve queremos ter uma posição local para melhorar o atendimento à população e à advocacia daqui”, assinalou o presidente da Seccional.
Os quatro pilares do atendimento

A logística do evento foi estruturada para oferecer um suporte integral. Nildete Santana de Oliveira, diretora de Mulheres da OAB/DF, explicou que a ação foi baseada em quatro pilares: saúde, jurídico, empregabilidade e alimentação. “Cadastramos 130 famílias para a entrega de cestas básicas e oferecemos 200 cafés da manhã. O objetivo é que, no Dia das Mães, elas tenham esse alimento na mesa”, pontuou Nildete, justificando a escolha da localidade pela carência extrema da população.

A presidente da Subseção de Ceilândia, Ana Carla Paz, ressaltou o esforço de aproximação com os cidadãos. “A nossa gestão tem o lema de aproximar a sociedade da OAB. Palestramos em escolas, ensinamos sobre direitos e, hoje, trazemos orientações jurídicas e encaminhamentos para órgãos competentes, e se necessário para a Fundação de Assistência Judiciária (FAJ)”, relatou. Ela explicou que não é a primeira ação junto à população do Sol Nascente listando dentre outros eventos a Páscoa Solidária, Ação Social no Dia das Crianças (ano passado).

Pedro Ivo Velloso, secretário-geral adjunto da Seccional, ao participar das atividades da manhã, lembrou o peso da carga emocional e laboral das mulheres, muitas delas mães solo. “Estamos aqui na semana das mães; elas que têm uma rotina dura e, às vezes, jornada tripla. Nosso papel é tentar aliviar um pouco esse fardo que carregam”, comentou.

O sentimento de dever cumprido foi ecoado por Carine Moreira, diretora de Mulheres do Gama, que definiu a ação como “um ato de servir”. Segundo Carine, “trazer a assessoria jurídica à comunidade, oferecendo um café da manhã de qualidade, distribuir cestas básicas faz bem e nos traz alegrias enquanto advogados e participantes da diretoria da OAB/DF”. Ela deseja que em breve aconteçam mais ações sociais dessa natureza.
Fátima Bastos, diretora de Convênios da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF), e diretora de Mulheres da Subseção de Samambaia, classificou a manhã como “abençoada”. Disse ela: “tivemos um café da manhã farto, que as pessoas puderam até repetir. Agora estamos entregando esses kits de saúde bucal e cestas básicas; houve atendimento do Sest Senat. Então, foi uma manhã muito abençoada. Bem-sucedida! O evento foi muito lindo!”

Atrás dos números e das estatísticas de vulnerabilidade, estão histórias de mulheres que lutam diariamente para garantir o mínimo aos filhos. Tiveram interesse em todos os serviços oferecidos e para muitas a cesta básica realmente fará toda diferença para melhor no Dia das Mães.

Lorraine Rodrigues, de 33 anos, é manicure, mas não consegue exercer a profissão plenamente porque precisa cuidar do filho de 10 meses. Além dele é mãe de mais um menino de 13 anos. “Sem ajuda, não tem como sair da vulnerabilidade social. O café da manhã e a cesta básica são fundamentais hoje”, contou.

Bárbara Cristina Gama Silva, 46 anos, mãe solo, contou ter 5 filhos — entre eles, trigêmeas de 8 anos. Os dois adultos são independentes, mas as trigêmeas dependem dela, que sobrevive de “bicos” e programas sociais. “Sou mãe solo, a dureza é grande. Faço uma unha aqui, vendo um produto ali e vou inventando situações para as crianças seguirem estudando”, disse emocionada ao receber uma cesta básica. Segundo Bárbara, “ações como essa facilitam a vida, porque tem muita coisa a que não temos acesso no dia a dia.”

Além do alimento, atendimento jurídico foi uma das razões que mais as motivaram a participar das atividades.

Vitória Dias Carneiro Miranda, de 23 anos, por exemplo, buscou ajuda para entender por que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) de seu filho, de 7 anos, foi negado. “Explicaram tudo certinho e consegui tirar minha dúvida”, disse a jovem, que é mãe também de uma menina de 3 anos. Entender, para ela, era fundamental. E agora Vitória pensa que é seguir adiante em busca de novas possibilidades para dar assistência ao filho, que tem distúrbio neurobiológico da fala (gagueira), o que não é considerado deficiência pela legislação brasileira atualmente.

Regina Neuza de Oliveira, de 47, explicou que estava ali porque seu marido está doente e desempregado. Ela quer tentar benefícios em programas oficiais de assistência social. “Vim entender as regras para poder entrar nos programas. Estou cuidando da casa, do marido e da filha de 11 anos sozinha”, relatou.
Fotos: Roberto Rodrigues e Montserrat Bevilaqua
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Jornalismo OAB/DF
