Inclusão e pertencimento marcam solenidade de entrega de carteiras na OAB/DF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Inclusão e pertencimento marcam solenidade de entrega de carteiras na OAB/DF

A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) realizou mais uma emocionante solenidade de entrega de carteiras profissionais a 53 novos advogados e advogadas. O evento, realizado nesta manhã (28), marcado por histórias reais de superação e apelos à empatia, reafirmou o compromisso da instituição com a diversidade, a paridade de gênero e o acolhimento prático de quem inicia a caminhada profissional.

Os pontos altos da manhã foram os pronunciamentos da oradora da turma, Ananda Catharine Gusmão, e da paraninfa, a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar.

Ananda compartilhou os desafios de sua trajetória como mulher autista e celebrou o recebimento de sua carteira profissional como um marco de pertencimento legítimo e conquista de espaço.

“Durante muito tempo, pessoas neurodivergentes foram ensinadas a acreditar que certos espaços não eram feitos para nós. Que éramos sensíveis demais, intensas demais, diferentes demais, silenciosas demais ou inadequadas demais para ocupar lugares de destaque”, declarou Ananda. “E mesmo assim… nós chegamos aqui. Não por pena. Não por concessão. Não por favor. Chegamos aqui por mérito, esforço, inteligência, capacidade e persistência.”

A nova advogada ressaltou que a neurodivergência traz um olhar sensível e profundamente humano ao mundo, uma característica que se traduz em um forte senso de justiça. Aproveitou para cumprimentar a conquista do colega Vinícius Europeu, também autistas, e que ali recebia sua carteira profissional.

“A advocacia exige técnica. Mas exige, acima de tudo, humanidade. Em muitos momentos da nossa carreira, seremos a única voz de alguém. A última esperança de alguém. O acolhimento de alguém em um dos piores momentos da vida. E isso exige mais do que conhecimento jurídico. Exige empatia, ética e coragem”, concluiu.

A oradora Ananda Catharine Gusmão recebe as homenagens da diretoria da OAB/DF

A paraninfa Sthefany Vilar trouxe um depoimento inspirador sobre resiliência e adaptação. Sendo a primeira advogada de sua família, Sthefany relembrou que, antes, precisou assumir a gestão da empresa de perfuração de poços artesianos de seu pai devido a uma enfermidade dele — uma experiência prática e que futuramente a direcionaria para a especialização em Direito Empresarial, seu ramo de atividade atualmente.

Ser advogada, para Sthefany Vilar, foi enfrentar temores e ter coragem: “Só me lembro, quando peguei minha ‘carteirona’ que eu não conseguia me sentir pertencente à advocacia. Eu olhava para a mesa e me sentia tão distante! E isso já faz um pouco mais de 10 anos! Eu pensava que era mulher a primeira advogada da minha família… precisei de um tempo para entender que a advocacia era para mim, e sei hoje que é para nós, Ananda! A advocacia é um espaço para todos! E aqui, nesta Casa, hoje  posso falar, presidente, existe pertencimento!

Sthefany Vilar ofereceu quatro conselhos fundamentais para os novos profissionais:

  • Construção de Redes (Networking): Evitar o isolamento profissional e buscar a colaboração mútua e a troca de experiências com colegas.
  • Escuta Ativa: Compreender a real necessidade jurídica por trás da demanda do cliente, ouvindo-o com atenção genuína.
  • Diferencial Competitivo: Usar as próprias vivências, cicatrizes e características únicas como força no mercado de trabalho.
  • Humanização frente à tecnologia: Utilizar a Inteligência Artificial como ferramenta de suporte, sem jamais perder a essência humana, a ética e o raciocínio crítico.
Homenagem à paraninfa da turma, Sthefany Vilar, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF

Em suas palavras finais, a paraninfa Sthefany Vilar também aconselhou os novos profissionais a aproveitarem a jornada diária, conscientes da responsabilidade de dar voz à sociedade. A advogada enfatizou a importância de uma conduta ética rigorosa, alertando que o Tribunal de Ética e Disciplina é o único espaço da instituição que deve ser evitado pelos novos colegas. Sthefany relembrou que a reputação é o maior patrimônio na advocacia, exortando a turma a honrar o próprio nome e a construir suas carreiras com base na integridade e no compromisso com a excelência.

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, destacou o pioneirismo da Seccional na implementação da paridade de gênero de 50% para todos os cargos diretivos, reforçando que a instituição é um espaço democrático e aberto, inclusivo e que busca fazer com que cada um sinta o pertencimento, desde a cerimônia de entrega de carteiras. Sobre esta manhã, acentuou: “cada cerimônia é especial, e esta vai entrar para as mais especiais, porque a gente percebe aqui que a inclusão não pode ser somente um discurso”.

Compondo a mesa de honra da cerimônia falaram a diretora de Igualdade Racial e de Direitos Humanos da Subseção de Taguatinga, Denise Eleutério, que pontuou a relevância da representatividade negra nos espaços de liderança; a presidente da Comissão da Advocacia Jovem e Iniciante da Subseção de Sobradinho, Dulci dos Anjos, que falou sobre cursos, mentorias e integração para quem está começando.  Também a copresidente da Subseção de Águas Claras, Karla Henriques, que destacou as 14 Subseções como espaços que oferecem escritórios compartilhados gratuitos e salas de reunião estruturadas para atendimento de clientes, além de muito acolhimento e espaço para crescimento pessoal.

No encerramento, a presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, falou sobre a origem e as finalidades da instituição, destacando serviços de saúde, convênios e auxílios emergenciais — incluindo o suporte financeiro de até seis salários mínimos para advogadas vítimas de violência doméstica. Ela aproveitou para anunciar a reinauguração da “Clínica da Advocacia” no próximo 1º de junho, e mais novidades.

A conselheira seccional Fabiana Pin nos instantes finais trouxe a voz das advogadas que são mães e reforçou a coexistência entre a maternidade e a advocacia, lembrando que as prerrogativas das advogadas gestantes e lactantes são defendidas de forma intransigente pela Ordem. Poli encerrou o evento com sorteio de duas bolsas de estudos da Escola Superior de Advocacia (ESA/DF), e mais dois convites para a festa junina da Subseção de Águas Claras, que ocorrerá dia 3 de junho, a partir das 19h.

Fotos: Roberto Rodrigues

Veja o álbum de fotos completo desta cerimônia aqui

Jornalismo OAB/DF

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