O presidente da OAB/DF, Francisco Caputo, elogiou a iniciativa do presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, e do presidente da Seccional do Rio de Janeiro, Wadih Damous, de realizar ato público pela memória dos 30 anos da morte de dona Lyda Monteiro.

Segundo Caputo, o ato terrorista de que foi vítima dona Lyda Monteiro tinha o único propósito de intimidar e calar a OAB, uma cidadela a serviço da sociedade. “É fundamental que as novas gerações conheçam o passado negro que vivemos nos anos de chumbo e lutem com destemor para que episódios como este não aconteçam mais em nosso país. De outro lado, o evento promovido em memória de dona Lyda revela a postura sempre altiva e libertária de nossa Entidade, guardiã dos direitos fundamentais do cidadão, que não se curva aos interesses dos detentores do poder”, afirmou Caputo.

No dia 27 de agosto de 1980, às 13h40, a secretária da presidência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Lyda Monteiro, foi vítima de uma carta-bomba. A correspondência foi endereçada ao então presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, por extremistas de direita contrários a abertura política que se iniciava com o governo João Figueiredo.

O ato em memória dos 30 anos da morte de dona Lyda Monteiro foi realizado no mesmo horário do atentado e no mesmo endereço da antiga sede do Conselho Federal da OAB, em que a secretária foi assassinada – avenida Marechal Câmara 210, no 6º andar. Segundo o presidente Ophir, a manifestação mostra que a morte de Lydia, que virou símbolo da resistência da OAB, não foi em vão. “Foi por uma causa que hoje estamos vendo consolidada em nosso país, que é a democracia”.

Além de reverenciar a memória de dona Lyda e a luta de resistência da OAB contra o regime ditatorial, a manifestação tem efeito pedagógico. “É importante mostrar para as gerações de hoje e do futuro que elas não podem incidir no mesmo erro, que essa histórica trágica não pode mais se repetir em nossa sociedade”, afirmou Ophir.