Bruno Silva

Para especialistas, aumento no índice de aprovação reflete nível mais justo do exame
No próximo domingo (5/2), será aplicada a prova objetiva do VI Exame de Ordem Unificado. São 101.896 inscritos em todo o país, sendo 3.859 do Distrito Federal. A prova garante aos bacharéis em direito a habilitação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), obrigatória para exercer a advocacia, e é considerada um desafio tão grande quanto terminar o ensino superior.

“Hoje, o Exame de Ordem é uma prova tão ou mais difícil que um vestibular”, aponta o professor Alexandre Mazza, que dá aulas preparatórias para a prova da OAB há 12 anos. Entretanto, ele acredita que a seleção não é mais tão exigente quanto há alguns anos. “A sensação geral é de uma prova mais justa, com um nível mais apropriado para uma avaliação de alguém que está saindo da faculdade”, ressalta.

Mazza aponta que a mudança no nível da prova se deu após a Fundação Getúlio Vargas (FGV) assumir a organização da prova, no lugar do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), em agosto de 2010. De lá para cá, o índice de aprovação também aumentou. No exame passado, aplicado em outubro de 2011, a média foi de 24,5%, duas vezes maior do que a do último exame de 2010, quando apenas 11,7% dos candidatos conseguiram a habilitação para advogar.

Para o presidente da comissão de Exame de Ordem da OAB-DF, Gustavo Gaião, a tendência é que o nível da prova continue no mesmo patamar. “O Exame anterior teve a maior aprovação dos últimos tempos”, apontou. Entretanto, Gaião ressalta que o exame não tem como objetivo medir a qualidade dos bacharéis em direito. “Quem vai dizer isso é o mercado. Isso é uma coisa muito íntima, pessoal, não é uma prova que vai dizer. O Exame serve para apontar quem não é apto ao exercício da advocacia.”

Entretanto, apesar de não ter o mesmo rigor, a prova continua difícil. “Se o aluno não estiver preparado, ele é reprovado”, aponta o professor Mazza. Para ele, a primeira dica para a prova é estudar sempre analisando as leis. “A prova passou a perguntar exatamente o que está escrito na legislação. Por isso, é importante estudar sempre com o texto da lei ao lado, além do material que você tem da faculdade ou do cursinho”, aconselha.

Ele também aponta que a quantidade de questões de ética profissional aumentou na primeira fase. “Vale a pena enfatizar o estudo dessa matéria, que tem a maior quantidade de questões”, aponta. Segundo Mazza, também é importante dar valor a matérias que como direito constitucional, administrativo, tributário e do trabalho, que possuem menos conteúdo mas são bastante cobradas na prova. “Essas matérias são mais curtas que disciplinas mais tradicionais, como direito civil, penal e processo civil. Com isso, o estudo tem mais rendimento”, aponta.

Preparação
O bacharel Rodrigo Casimiro, 25, também presta o exame pela terceira vez e voltou para o cursinho na reta final para a prova. “Fiz um cursinho de duas semanas, só da primeira fase. Também pretendo aproveitar o material que usei antes para poder estudar”, conta o estudante, que, além das aulas, estuda cerca de 6h por dia.
Para ele, a preparação deve ser feita já no último ano de curso . “O aluno deve estudar antes de se formar. Não estudei quando deveria e agora estou ralando pra passar”. A OAB permite que estudantes de direito prestes a se formar façam a prova. Casimiro também acredita que é importante estudar o texto da lei. “Não tem segredo. A questão é estar atento a detalhes, ficar de olho às exceções das matérias de direito”, aponta.

A primeira fase (prova objetiva) do VI Exame de Ordem Unificado, será aplicada em todo o país pela Fundação Getúlio Vargas. Para ser aprovado nesta etapa, o candidato deve acertar 50% do total de 80 questões. A segunda etapa (prova prático-profissional) será realizada em 25 de março deste ano.

Leia íntegra do edital antes de fazer a prova

Fique de olho

Dias de prova:
Prova objetiva — 5 de fevereiro, das 14h às 19h
Prova prático-profissional (segunda-fase) — 25 de março, das 14h às 19h.

Horários
Segundo o edital da prova, o candidato deve comparecer ao local de prova com no mínimo uma hora de antecedência.

Locais de prova
Em Brasília, a prova será na Universidade Paulista (Unip) — SGAS 913, Conjunto B, 54/55 — Asa Sul. As salas podem ser consultadas no site da prova. É necessário informar CPF e senha da inscrição.

O que levar
Caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente, o comprovante de inscrição e um documento de identidade original.

Deixe em casa
Aparelhos eletrônicos como bipe, celular, walkman, agenda eletrônica, notebook, gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, lápis, lapiseira, borracha, corretivo, relógio, óculos escuros e acessórios de chapelaria, como chapéu, boné, gorro, etc. O candidato q ue for surpreendido portanto algum destes objetos será eliminado do exame.

A prova
Na primeira fase, a prova tem 80 questões de múltipla escolha. Para passar, é necessário acertar um mínimo de 40 questões. Já na segunda fase, da prova prático-profissional, o candidato precisa escrever uma peça processual e responder a quatro questões, sob a forma de situações-problema, nas seguintes áreas, escolhidas no momento da inscrição: direito administrativo, direito civil, direito constitucional, direito do trabalho, direito empresarial, direito penal ou direito tributário.

Próximas datas:
Primeira fase
Divulgação do gabarito preliminar da prova objetiva — 5 de fevereiro
Resultado preliminar — 15 de fevereiro
Prazo para recursos contra o resultado preliminar — 15 a 18 de fevereiro
Divulgação do gabarito definitivo e resultado — 6 de março
Segunda fase (prova prático-profissional)
Divulgação dos locais de prova — 19 de março
Divulgação do padrão de resposta — 12 de abril
Divulgação do resultado preliminar — 17 de abril
Prazo para recursos contra o resultado preliminar — 18 a 21 de abril
Decisão de recursos acerca do resultado preliminar e divulgação do resultado final — 3 de maio