DE SÃO PAULO

Gustavo Aguiar David, 29, teve reajuste de 20% em 2011. Advogado júnior há dois anos, ele sabe que o aumento foi “um pouco além” do recebido por seus colegas.

Os jovens profissionais formados em direito tiveram o menor aumento salarial entre todos os cargos estudados pelo Datafolha -1,84%.

“Houve desvalorização da advocacia no início da carreira”, avalia Marcus Vinicius Furtado Coelho, secretário-geral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

As empresas buscam enxugar custos e “veem no setor jurídico fonte inesgotável de corte”, diz Arystóbulo de Oliveira Freitas, presidente da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo).

Com redução nos contratos com as empresas, reajustar os honorários dos advogados júnior tornou-se impraticável. “Os escritórios não podem trabalhar no vermelho”, considera Freitas. Quem perde é o recém-formado.

A OAB busca impedir a desvalorização salarial para quem está em início de carreira. Para isso, propõe estabelecer piso para a categoria. Já houve uma vitória nesse sentido. Em Brasília, a ordem conseguiu fixar a remuneração inicial dos profissionais em R$ 2.100.

EM ALTA

Entre os cargos que exigem ensino superior completo, o de professor foi destaque, com aumento de quase 11%. Para obter a média, foram considerados pelo Datafolha docentes de nível universitário, de pós-graduação e de escolas de idioma.

“[O aumento] é consequência da procura da população por cursos de línguas”, diz Marco Aurélio de Castro, diretor do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior).

Entre professores universitários da Grande São Paulo, o reajuste foi menor, de acordo com Castro. No ano passado, o aumento foi de 6% no salário, devido às renegociações da categoria, acrescenta Maria Bernadete Pupo, 55.

Professora em universidade particular há oito anos, ela afirma que muitas instituições de ensino superior têm adotado a estratégia de substituir docentes com experiência para reduzir a folha de pagamento.