Um dos problemas da sociedade é que ela, não raro, reduz todos os moradores de rua a usuários de drogas, a agentes do tráfico e mesmo à prática da prostituição. Com frequência, essas mazelas são atribuídas a pessoas simples e honestas em condições extremamente desfavoráveis, segundo o vice-presidente da OAB/DF, Severino Cajazeiras, que foi designado pelo presidente da Seccional, Ibaneis Rocha, no dia 21 de outubro, pela Comissão de Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de Brasília, para debater temas relativos à grave situação enfrentada pela população de rua. “Têm pessoas que moram na rua que são do bem, trabalhadoras, honestas e que realizam um excelente serviço de reciclagem”, disse Cajazeiras. Além da preocupação com a temática, a CJP considerou a OAB/DF como protagonista no encontro pelo fato de “ser uma instituição sempre comprometida com a defesa da democracia e Direitos Humanos”.

Cajazeiras ressaltou que “moradores de rua abandonam suas regiões de origem pela falta de serviços básicos como saúde, emprego e educação – e buscam as grandes cidades para terem melhores condições de vida”.

Também existem jovens que vão trabalhar em canaviais e a maioria é subcontratado, vivendo em ambientes subumanos e portanto, vulneráveis à degradação resultante de más condições de trabalho. “Muitos migram para áreas que possuem grande poder aquisitivo aqui no DF, como Águas Claras, Sudoeste e o Plano Piloto, que segundo o levantamento do CJP, são as cidades que mais possuem moradores de rua”, revela.

Severino também relata que existem ‘muitos moradores’ de rua que são originais do próprio Distrito Federal. “Muita das vezes, não são movimentos migratórios e, sim, moradores de rua daqui, da nossa própria cidade. Devemos nos preocupar com isso”, enfatiza.

O presidente da CJP José Márcio, ressalta que é preciso resolver todos esses problemas no DF e entorno, buscando uma solução efetiva com base no entendimento dessa realidade. “Pretendemos buscar ajuda do governo para diagnosticarmos esse problema e, principalmente, em relação ao drama do crack”, disse.

O membro da CPJ Melilo Diniz, reiterou que a comissão e a OAB/DF estão confiantes que este é o primeiro de muitos projetos no sentido de consolidar a luta pela cidadania e pelo respeito aos direitos humanos.

Reportagem – Hícaro Teixeira
Foto – Valter Zica
Comunicação social – jornalismo
OAB/DF