



PGE da Bahia, Bárbara Camardelli Loi, entrega a medalha e flores à viúva de Antonio José de Oliveira Telles de Vasconcellos, a servidora pública federal Patrícia Ferreira Lopes Pimentel Telles de Vasconcellos
Em uma homenagem muito emocionante, na sede da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia conferiu, in memoriam, ao advogado e procurador Antonio José de Oliveira Telles de Vasconcellos a Medalha de Honra ao Mérito Evandro Dias Costa. A honraria foi entregue à viúva dele, a também advogada e atualmente servidora pública federal Patrícia Ferreira Lopes Pimentel Telles de Vasconcellos, que estava acompanhada na cerimônia das filhas Mariana e Beatriz, cunhados, amigos e colegas de trabalho de Antonio. Dentre os amigos, compondo a Mesa de Honra, estava o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, que prestou homenagens em nome próprio e de toda a advocacia do DF.

Bárbara Camardelli Loi, procuradora-geral do Estado da Bahia, veio de Salvador para esta homenagem: “Foi inesperada a perda de Antonio, e um episódio muito triste para todos nós!”, comentou. Para ela, “temos de reconhecer as pessoas e sempre que possível em vida!”. Disse: “Antonio era uma pessoa muito afável, muito simpática, e deixou sua marca. Tivemos a necessidade de mostrar o nosso sentimento por ele e a gratidão! Ele foi e continuará sendo um dos nossos!”
A procuradora-geral do Estado da Bahia assinalou o carinho ao homenageado com um poema de Mário Quintana:
“Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
Deste já tão longo andar!
E talvez de meu repouso…

Em suas palavras iniciais, Paulo Maurício Siqueira, Poli, nomeou a OAB/DF como sede da PGE da Bahia para que a família de Antonio e amigos pudessem receber a homenagem. Declarou: “Antonio era muito querido e, antes de estar aqui como representante da classe, venho como um amigo que o admirava muito! Eu era estudante de Direito e ele já era referência, um farol para nós! Ele conseguia sempre ser alguém para apoiar reflexões, para que encontrássemos as melhores soluções nas causas. Celebrar a entrega desta medalha é reverenciar sua vida, sua trajetória pessoal e profissional. Parabenizo a PGR por conferir essa medalha mais do que merecida. Também destaco que Antonio era um advogado brilhante, que inspirava a todos e segue sendo exemplo. A advocacia pública e a advocacia privada podem ser feitas de forma harmônica e muito competente! Somos todos advogados, e ele era um advogado completo! Que suas filhas recebam a nossa mensagem e saibam que seu pai foi um grande homem!”
Vida e legados

Antonio José de Oliveira Telles de Vasconcellos completaria 54 anos nesta data (24 de julho) e a homenagem celebrou a sua vida, precocemente interrompida em maio de 2023. Ele atuava na Representação da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia junto aos Órgãos e Tribunais Federais, em Brasília, e também exercia a advocacia na área trabalhista. Passou em seis concursos de carreira pública, tamanha sua dedicação aos estudos. Ao longo da carreira, destacou-se pela excelência profissional e por ser, nas palavras das pessoas da família e dos amigos, um “humanista”, pessoa que tratava tudo e a todos “com amor”. A doçura da personalidade, a firmeza de caráter e os legados que deixou foram reverenciados ao longo da cerimônia realizada na OAB/DF, nesta manhã.
Gaúcho, Antonio veio morar em Brasília aos 12 anos. Apaixonou-se pelo Direito, tendo como referência seu pai, Antonio Telles de Vasconcellos. E inspirou uma irmã, Gabriela Telles de Vasconcellos Klarmann Porto, a seguir pelo mesmo caminho. A outra irmã, Maria Alice Oliveira Telles de Vasconcellos, enveredou pela Pedagogia. Família unida, fortes referências que transmitiu às filhas. A sua trajetória, contada com muito amor e carinho, foi um momento marcado também por poesia. Mário Quintana, Milton Nascimento, pastor Henrique Vieira tiveram suas palavras emprestadas em citações no evento.
Antonio foi assessor do jurista Ives Gandra Martins Filho, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e, depois de concursado, ingressou na Procuradoria-Geral da Bahia. Ao mesmo tempo, empreendia como advogado.

“Nos conhecemos em fevereiro de 2003, ambos trabalhávamos na advocacia trabalhista. Ele havia tomado posse na Procuradoria fazia pouco tempo e conciliava desde o início a carreira pública com o exercício da advocacia. Casamos em 2004. Tivemos duas filhas. E ao longo dessa vivência posso dizer que ele era alguém que impactava positivamente a todos que o conheciam. Era um advogado vocacionado e apaixonado pela profissão, como conheci poucas pessoas. Tinha profunda honra e orgulho pelo trabalho que realizava pelo Estado da Bahia. Vibrava a cada sucesso! Foi um marido, um pai e um profissional que nem no meu melhor sonho poderia ter pedido”, contou Patrícia. Para ela, a homenagem nesta data do aniversário dele veio como “um afago para a família e os amigos”. “É muito importante estarmos aqui, compartilhando a dor! Faz muita diferença também ser na OAB/DF, porque ele era essencialmente um advogado. Aqui estamos cercados de pessoas que tinham e têm verdadeiro carinho por ele”, concluiu.

Maria Alice Vasconcellos, irmã de Antonio, trabalha como Diretora de Gestão Documental do GDF e falou sobre a vinda da família de Porto Alegre para o Distrito Federal. Recordou que o pai deles, Antonio Telles de Vasconcellos, veio trabalhar a convite do governo para prestar consultoria ao serviço público federal. “Eu tinha 13 anos e Antonio 12. Minha irmã caçula, Gabriela, nasceu quando eu tinha 9 anos. Éramos nós três e nossos pais, e moramos, à época da nossa chegada, na 203 Sul. Temos amigos que são dessa época e nos acompanham até hoje! Crescemos juntos, tivemos uma juventude divertida e partilhávamos dos mesmos amigos. Amigos esses que trazemos para a convivência até os dias de hoje! Depois casamos, tivemos filhos e uma vida que nos deixou raízes profundas”, recordou. Ela acompanhou o irmão durante o tratamento de saúde que enfrentou e disse que pôde estar muito presente nessa fase. “É uma perda muito grande para todos nós. Sua partida foi quando ainda era muito jovem. Ficou seu legado profissional, sua história e as marcas de viver, como a disponibilidade de estar pelas pessoas e amá-las independentemente de quem sejam”.
O servidor público Targine de Resende Filho, marido de Maria Alice, a acompanhou na cerimônia e compartilhou lembranças do cunhado: “Sou casado com a Maria Alice faz 32 anos. A gente teve muitos anos juntos com Antonio! Foi uma perda significativa. Sofremos demais, até hoje! A cerimônia nos tocou bastante! Tivemos uma semana de recordações sobre ele e agora estamos diante de uma justa homenagem que nos traz conforto!”

Gabriela Telles de Vasconcellos Klarmann Porto seguiu os passos do pai e do irmão Antonio, encaminhando sua vida para o Direito. Hoje, ela atua na área de Regulatório e Telecomunicações no setor privado. “Antonio era inspiração e uma pessoa muito bacana! Então, carrego essa influência do meu pai e dele. Para mim, é difícil olhar a foto da homenagem e pensar que não está aqui conosco! É devastador! Ele era uma pessoa muito ativa e, infelizmente, teve um problema de saúde e tudo aconteceu de modo rápido. Sofremos com a partida”, lamentou ao lembrar de Antonio.
Assim, para Gabriela, estar na OAB/DF, com os colegas da PGE da Bahia, nesta homenagem calorosa, no dia do aniversário dele, foi emocionante! “A gente sente conforto! A vida nos trouxe essa surpresa. Não encontramos os porquês na passagem de quem amamos e parece ter sido ontem, mas que bom que pudemos nos unir e dar acolhimento a ele. Também, hoje, receber esses abraços!”

Homenagem dos colegas do Direito

Dr. Helder de Araújo Barros, subprocurador-geral do DF e diretor Administrativo e Financeiro da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape), representou a entidade na cerimônia.
Helder Barros falou sobre a admiração que tinha por Antonio e de um sentimento que misturava a tristeza pela partida dele com a alegria pelo reconhecimento que agora a sua família recebia: “Venho trazer o carinho da Anape a esse associado magnífico!”

O procurador da Representação da PGE da Bahia no Distrito Federal, Bruno Espiñeira Lemos, representou os colegas. Muito emocionado, ele resgatou a amizade de quase 25 anos, quando o conheceu e foi acolhido por Antonio, sendo a primeira referência que teve no Distrito Federal. “Ele nos inspira permanentemente”, afirmou, para em seguida destacar: “Acolhimento empático é terra rara… e o encontrei em Antonio, um colega e amigo leal!” Discorreu sobre a carreira e o brilhantismo intelectual do homenageado.
E, ao dizer que Antonio é inesquecível, Bruno Espiñeira Lemos o homenageou trazendo um trecho de Canção da América, composição de Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar… Debaixo de sete chaves… Dentro do coração…” E seguiu na homenagem: “Mas quem cantava chorou, ao ver seu amigo partir… Mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou… com a lembrança que o outro cantou… o que importa é ouvir a voz que vem do coração… Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar… Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar!”

No encerramento da cerimônia, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Lelio Bentes Corrêa cumprimentou a PGE da Bahia e destacou que “fez muito sentido homenagear o legado profissional e o grande ser humano que Antonio foi”.
A partir de suas memórias, o ministro possibilitou aos presentes recordar a dedicação, o zelo e o comportamento respeitoso que Antonio manteve junto às pessoas, sempre sendo ouvido. “Quantas vezes ele não influenciou decisões em sua forma amorável de se dirigir às pessoas?”, perguntou, com a voz embargada.
Nas palavras do ministro, “amor e bondade” é o que “podemos deixar ao mundo”… e Antonio deixou isso para as suas filhas. “Esse objetivo foi plenamente alcançado”, acentuou.
O ministro recorreu também à poesia, como os que lhe antecederam, para celebrar a existência de Antonio. “Uma homenagem justa”, comentou. Proferiu palavras do pastor Henrique Vieira:
“Vejo a vida passar num instante. Será tempo o bastante que tenho para viver? Não sei, não posso saber Quem segura o dia de amanhã na mão? Não há quem possa acrescentar um milímetro a cada estação. Então, será tudo em vão? Banal? Sem razão? Seria, sim, seria se não fosse o amor O amor cuida com carinho, respira o outro, cria o elo. No vínculo de todas as cores, dizem que o amor é amarelo” (como o sol que brilha e que nos aquece e nos traz alegria)…
“Eu não tenho a bolha da proteção. Queria guardar tudo que amo. No castelo da minha imaginação. Mas eu vejo a vida passar num instante. Será tempo o bastante que tenho para viver? Eu não sei, eu não posso saber. Mas, enquanto houver amor, eu mudarei o curso da vida. Farei um altar para comunhão! Nele eu serei um com o mundo. Até ver o ubuntu da emancipação. Porque eu descobri o segredo que me faz humano. Já não está mais perdido o elo. O amor é o segredo de tudo. E eu pinto tudo em amarelo”

Além dessas palavras, a família recebeu os abraços e cumprimentos de Antonio Henrique de Carvalho Eller, representando a Associação Nacional dos Magistrados Aposentados do Poder Judiciário da União e de Procuradores Aposentados do Ministério Público da União, assim como do ex-procurador-geral da Bahia, Paulo Moreno Carvalho, que prestigiaram o evento.
Medalha

A Medalha Evandro Dias Costa foi instituída em homenagem a esse também procurador aposentado do Estado da Bahia, que faleceu em abril deste ano. Evandro foi reconhecido por seus pares como um ser humano único, cuja trajetória foi marcada pela dedicação incansável à advocacia pública. O legado dele fez história na Procuradoria do Estado da Bahia, por sua destacada inteligência, ética e generosidade. Assim como Antonio José de Oliveira Telles de Vasconcellos, deixou saudades. Quem recebe a Medalha Evandro Dias Costa é reconhecido como pessoa que contribuiu de forma notável para o fortalecimento da Advocacia Pública da Bahia, seja em âmbito estadual, nacional ou internacional.
Compuseram a Mesa da Solenidade:
- Dra. Bárbara Camardelli Loi, procuradora-geral da Bahia;
- Dr. Lelio Bentes Corrêa, ministro do Tribunal Superior do Trabalho;
- Dr. Paulo Maurício Siqueira, Poli, presidente da OAB/DF;
- Dr. Helder de Araújo Barros, subprocurador-geral do DF e diretor Administrativo e Financeiro da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape), representando a entidade;
- Dr. Luiz Paulo Romano, procurador da Representação da PGE da Bahia;
- Dr. Luiz Viana Queiroz, procurador da PGE, vice-presidente da OAB Nacional, conselheiro federal da OAB pela Bahia;
- Dr. Bruno Espiñeira Lemos, procurador da Representação da PGE da Bahia.
Fotos: Roberto Rodrigues
Jornalismo OAB/DF
