Criptografia pós-quântica e desafios da cibersegurança entram em debate na OAB/DF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Criptografia pós-quântica e desafios da cibersegurança entram em debate na OAB/DF

A Comissão de Cibersegurança da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) promoveu, na tarde desta sexta-feira (31/10), o evento “Desafios e Oportunidades em Cibersegurança”, reunindo especialistas de diferentes áreas para discutir riscos emergentes, avanços tecnológicos e estratégias de proteção no ambiente digital. A programação contou com painéis técnicos, palestras e debates que abordaram desde a governança digital até a criptografia pós-quântica e a investigação de crimes cibernéticos.

Na abertura, o consultor em cibersegurança e presidente da Comissão de Cibersegurança da OAB/DF, Augusto Damião, destacou a complexidade do tema e o papel da advocacia na construção de uma cultura digital mais segura. “Cibersegurança é um campo que une Direito, tecnologia, psicologia e até física quântica. Nosso papel é conectar esses saberes e transformar o fator humano, muitas vezes o elo mais vulnerável, em um ponto de força. Proteger dados é proteger direitos, democracia e o exercício da advocacia no século XXI”, afirmou.

O primeiro painel, mediado por Eduarda Chacon, vice-presidente da Comissão de Cibersegurança da OAB/DF, discutiu boas práticas de governança digital e segurança da informação em setores estratégicos. Participaram Virgínia de Melo, assistente técnica na Presidência da República; Nayara Sales, analista de TI com atuação em governança e melhoria de processos no BRB; Helton Garcia, auditor federal de controle externo; e Abdiel Nunes Pereira, analista de tecnologia da informação da UnB.

Os especialistas destacaram a importância de consolidar políticas de segurança baseadas em governança e conscientização, e não apenas em medidas técnicas. Virgínia apresentou dados do Centro Global de Capacidade de Segurança Cibernética (GCSCC), da Universidade de Oxford, que evidenciam desafios estruturais do Brasil na gestão de segurança digital. Já Helton Garcia compartilhou sua experiência com o Observatório da Segurança Cibernética no Agronegócio (OSCA), destacando o aumento dos ataques no setor. “O agronegócio é uma indústria a céu aberto. Um ataque digital pode comprometer toda a cadeia produtiva, da plantação ao consumo”, alertou.

O segundo painel foi mediado por Augusto Damião e pelo especialista em Defesa Cibernética, Nestor Lana. O painel contou com a participação dos especialistas em criptografia pós-quântica do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (Cepesc), Rogério de Assis Medeiros e Thiago do Rêgo Sousa. Rogério apresentou a palestra “Ameaça Quântica à Segurança Cibernética”, explicando como o avanço da computação quântica poderá comprometer os sistemas de criptografia clássicos, como RSA e ECC, algoritmos de criptografia de chave pública que usam pares de chaves (pública e privada) para segurança. “A ameaça é real. Estamos em uma corrida contra o tempo. Quem coleta dados hoje poderá decifrá-los amanhã, quando a capacidade quântica atingir maturidade.”

Na sequência, Thiago Sousa abordou o tema “Transição Pós-Quântica”, detalhando o processo de migração para novos algoritmos de criptografia resistentes à computação quântica. Ele ressaltou que sistemas jurídicos e administrativos, como o Processo Judicial Eletrônico e os cartórios digitais, precisarão se adaptar. “Esse é o início de uma grande migração criptográfica da nossa era. Exige planejamento, interoperabilidade e governança estratégica.”

Encerrando o evento, o terceiro painel, mediado por Lucas Souza, advogado criminal, tratou das perícias digitais e da investigação de crimes cibernéticos. Participaram do debate Yuri do Amaral, perito criminal da Polícia Federal; Gabriel Velasco, perito criminal e chefe da Seção de Perícias de Crimes de Alta Tecnologia do Instituto de Criminalística da PCDF; e Leandro de Souza, perito criminal do Instituto de Criminalística da PCDF. Os especialistas abordaram um mercado do cibercrime infectando aplicativos de jogos mesmo em lojas oficiais nos nossos celulares, reforçando a grande necessidade de atenção das crianças e dos pais.

Os debatedores destacaram a relevância da atuação interdisciplinar entre o Direito e a Tecnologia no enfrentamento aos crimes digitais. “O crime cibernético não deixa pegadas no chão, mas deixa rastros digitais. Compreender esses sinais é essencial para garantir justiça e segurança”, observou Yuri do Amaral.

“Falar de cibersegurança é falar de liberdade, de soberania e de responsabilidade. Esse é o papel da advocacia diante da transformação digital”, concluiu Augusto Damião.

Fotos: Alex Bandeira

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Jornalismo OAB/DF

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