

Na noite de quarta-feira (12), a Comissão de Advocacia Multiportas da Subseção da OAB/DF de Água Claras e a Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/DF se uniram para realizar um “Círculo de Construção de Paz”, exclusivo para advogadas que atuam nos dois colegiados. O objetivo foi apresentar, de forma prática, os princípios da Justiça Restaurativa e o poder dos Círculos Restaurativos na transformação das relações humanas e profissionais, especialmente no ambiente jurídico.
Aprendizado e conexão

Leila Santiago, presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB-DF, destacou a relevância do evento: “Mais do que um momento de vivência, o encontro nos possibilitou um espaço de aprendizado, escuta e conexão, onde as participantes puderam compreender as bases da metodologia restaurativa, que propõe o diálogo, o respeito e a corresponsabilidade como caminhos de solução e pacificação social”.
A iniciativa foi além da técnica jurídica, convidando as participantes a uma reflexão profunda sobre o papel da mulher na advocacia, a busca pelo equilíbrio entre força e sensibilidade, e a importância fundamental do autocuidado. Advogadas, que diariamente enfrentam desafios e sobrecarga emocional, encontraram um espaço para pensar em seu próprio bem-estar.
Liderança e humanidade na advocacia

A dinâmica foi conduzida pela advogada Bruna Paim, especialista em Direito das Famílias, autora do livro “Vínculos, Vozes e Cura”, psicoterapeuta sistêmica, mediadora e conciliadora judicial e extrajudicial, além de facilitadora de Círculos de Construção de Paz e atual presidente da Comissão de Advocacia Multiportas da OAB/DF em Águas Claras.
Bruna Paim explicou a importância de trazer a Justiça Restaurativa para o contexto da OAB e para o dia a dia da advocacia. Ela ressaltou que, embora os profissionais da advocacia cuidem de muitas pessoas, é fundamental que também cuidem de si mesmos. “É essencial reconhecer a própria humanidade e a possibilidade de sentir dor sem que isso signifique vulnerabilidade”, destacou.
Segundo Bruna Paim, essa compreensão aprofundada de si e do outro fortalece a capacidade de o profissional da advocacia se conectar com seus clientes e suas dores, promovendo uma ação mais empática e eficaz.
Ela detalhou que a dinâmica do Círculo de Paz realizada ajudou as participantes a se entenderem melhor e a construírem vínculos mais fortes dentro da própria comissão. Além disso, permitiu compreender a técnica da Justiça Restaurativa e como um(a) facilitador(a) atua, abrindo novas perspectivas de atuação.
Alcance da justiça restaurativa
Bruna Paim enfatizou a versatilidade dos Círculos Restaurativos, que podem ser aplicados em diversas áreas para restaurar relações, como em empresas ou no âmbito familiar. Ela citou sua experiência em Araguari (MG), onde conduziu grupos com homens acusados de violência doméstica e com mulheres que sofreram agressões, sempre com o cuidado de não misturar vítimas e agressores devido à vulnerabilidade das vítimas. “O falar é muito importante,” afirmou, destacando o poder da escuta e da partilha para a cura.

A realização deste Círculo de Construção de Paz reforça o compromisso da OAB/DF em promover práticas inovadoras que fortalecem a advocacia e contribuem para a pacificação social, incentivando o bem-estar e o desenvolvimento contínuo de seus membros.
Fotos: Alex Bandeira
Jornalismo OAB/DF
