Jovens da Casa Azul visitam OAB/DF em prévia de palestra sobre o Coro da Capela Sistina - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Jovens da Casa Azul visitam OAB/DF em prévia de palestra sobre o Coro da Capela Sistina

Seccional recebeu adolescentes para visita guiada e bate-papo sobre um dos coros mais antigos do mundo, que faz primeira turnê na América Latina, e se apresenta em Brasília

Adolescentes da Oficina de Inicialização Musical da Casa Azul participaram na manhã desta quinta-feira (9) de uma visita guiada à sede da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF). A atividade antecedeu a palestra “A História do Coro da Capela Sistina – Um patrimônio de mais de 600 anos“, realizada no Plenário José Gerardo Grossi, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da OAB/DF no YouTube.

A Casa Azul é uma Organização da Sociedade Civil que atende mais de 2 mil crianças, jovens e famílias em Samambaia (DF), com ações nas áreas de cultura, tecnologia, educação e esporte. Onze meninos e meninas atendidos pelo projeto participaram da visita.

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, esteve com o grupo e fez uma pergunta direta: “Quem quer ser advogado?” Quatro levantaram as mãos. Em seguida, dirigiu-se aos jovens para dizer: “Independentemente de ser advogado ou não, o importante é que vocês conheçam os seus direitos. Vocês vão ser cidadãos e precisam saber como vão se comportar, e exigir também que o Estado trate de vocês. Espero que essa visita seja um momento de reflexão e de conhecimento.”

Visita guiada e contato com a advocacia

A tour pelas dependências da OAB/DF foi conduzida pela presidente da Comissão de Cultura e Arte do Conselho Federal da OAB e da Comissão de Cultura e Economia Criativa da OAB/DF, Veranne Magalhães. O grupo passou pelo plenário Sepúlveda Pertence, conheceu a sala da presidência e acompanhou a história da seccional, instalada em Brasília desde 25 de maio de 1960.

“Expliquei como funciona a Casa. A gente teve a oportunidade de subir na sala do presidente também. Para além da vinda deles aqui para a palestra, eles tiveram condições de ter uma perspectiva de funcionamento da advocacia”, disse Veranne. “Quatro deles falaram assim: ‘a gente quer ser advogado quando crescer'.”

Para ela, a aproximação com crianças e adolescentes é promissora: “É muito bom que a OAB se aproxime da sociedade civil. E quando a OAB consegue atingir adolescentes, a gente vê essa perspectiva da proximidade mesmo e de tirar um pouco do mito do advogado, da advocacia distante.”

E/D: Ariadna, Martha, Rodrigo, Camilo e Veranne

A palestra contou com três especialistas: a soprano e doutora em Pedagogia Vocal Ariadna Moreira; o professor de canto erudito Rodrigo Soalheiro; e a cantora Martha Freitas, todos formados pela Escola de Música de Brasília. Também participou dessa mesa o produtor cultural Camilo Cassoli, e Veranne Magalhães.

“A beleza salvará o mundo”.

Rodrigo Soalheiro citou o escritor russo Fiódor Dostoiévski ao resumir o significado do encontro: “A beleza salvará o mundo”. Para ele, “o homem sem a beleza, enlouquece. A natureza humana corre para a beleza, para a bela arte, para a bela dança, para a bela arquitetura, para a bela música. A gente se reunir hoje aqui na OAB para falar sobre o Coro do Vaticano é falar profundamente da beleza, mas de uma beleza que busca a transcendência do homem”.

A soprano Ariadna Moreira emocionou-se ao falar sobre a vinda do coro a Brasília, lembrando que, quando criança, ela participou do coro na visita do papa João Paulo II a Brasília (ocorreu em 30 de junho de 1980). “Agora, vemos uma coisa única, é a primeira vez na história que se ouve o coro da Capela Sistina no Brasil e na América Latina. Um momento histórico muito forte. Convido vocês a ouvirem, a participarem e a aprender com isso, e sentirem em vocês, esse abraço divino”, disse aos adolescentes da Casa Azul.

“Como as pessoas da época entendiam aquelas pinturas?”

Um dos momentos mais marcantes da manhã foi a pergunta do jovem Maurício Marques Luiz da Silva, de 13 anos, que participa da Oficina de Inicialização Musical da Casa Azul e toca trompete, aos palestrantes.

“Eu queria fazer uma pergunta sobre a arte da Capela Sistina. Como as pessoas da época entendiam aquelas pinturas no teto?”, questionou Maurício.

O produtor cultural Camilo Cassoli, responsável por viabilizar a turnê do coro no Brasil, respondeu: “Isso foi feito há 500 anos. As pessoas não sabiam ler em sua maioria ou não tinham acesso a livros. Viam as pinturas olhando para cenas que transmitiam a eles a realidade como tinham escutado alguém falar a respeito de temas bíblicos, e isso seria como nós vemos algo em alta definição hoje.”

Maurício explicou a origem de sua curiosidade: “Na minha mente, a pessoa não ia desenhar aquilo só para ficar ali. Alguém tinha que entender alguma coisa.” Questionado se a explicação o satisfez, respondeu: “Sim, consegui entender tudo direitinho.”

A professora Ariadna destacou a maturidade do jovem: “Para ele fazer essa pergunta, ele teve que se colocar naquele lugar e se colocar naquele tempo. Isso já indica que ele tem essa plasticidade mental. Ver que o mundo não era assim, que as coisas não eram como estão hoje.”

Música como transformação social

O educador social Geovane Ferreira, 27, músico e regente da Arquidiocese de Brasília, acompanhou o grupo da Casa Azul. Ele explicou a importância da visita: “Dentro do projeto Brincando e Educando, além das atividades com instrumentos, o canto coral. E ter o coro da Capela Sistina presente, com crianças na mesma faixa etária deles, oferece uma vivência de canto coral, uma referência para cantarem igual e se sentirem incluídos nesse meio artístico.”

Geovane, que começou a aprender música aos 9 anos em um projeto social, ressaltou o caráter inclusivo da iniciativa: “É uma oportunidade de trazer essas crianças em vulnerabilidade para conhecer essa realidade que às vezes se entende como algo mais elitista, mas não, é aberto a todos.”

Turnê histórica e inédita

O Coro do Papa na Catedral da Sé, em São Paulo, no último domingo, 5 de julho. Grupo é formado por 23 adultos e 29 “meninos cantores” (ph. LM7 Foto & Vídeo)

O Coro da Capela Sistina faz sua primeira visita à América Latina em mais de 600 anos de existência – e também a primeira ao Hemisfério Sul. A turnê brasileira, que começou em 4 de julho, já passou por Campinas, São Paulo e Curitiba antes de chegar a Brasília, e seguirá para o Rio de Janeiro.

Camilo Cassoli, produtor geral do projeto, contou sobre os desafios de trazer o grupo ao Brasil. “Vir para cá envolvia não só ter todas as questões de estrutura e legais resolvidas, mas demonstrar essa estrutura para eles, sobretudo aos pais das crianças, e dar toda a tranquilidade de uma viagem segura”, afirmou. “O Brasil tem uma imagem um pouco distante para quem vive na Europa, diferente de eles falarem que vão para a Áustria, por exemplo, que é a uma hora de avião.”

O coral é composto por 29 meninos, acompanhados por 27 adultos, entre professores e responsáveis legais. Todas as apresentações são gratuitas e, segundo o produtor, tiveram lotação máxima nas cidades anteriores. “Em todos os lugares pelos quais a gente já passou – Campinas, São Paulo, Curitiba – teve ingressos esgotados. Uma pré-condição é que todas as apresentações são gratuitas. Então tem uma disputa muito grande pelas entradas”, disse.

O concerto em Brasília ocorre nesta quinta-feira (9), às 20h30, na Catedral Metropolitana. A regência será do maestro e monsenhor Marcos Pavan, paulistano e primeiro brasileiro a assumir o comando do grupo musical na história.

Veja na íntegra a palestra transmitida pelo canal oficial da OAB/DF no Youtube aqui.

Fotos: Roberto Rodrigues

Jornalismo OAB/DF

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