Em homenagem ao mês da mulher, a Seccional Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) realizou, nesta segunda-feira (31/03), uma cerimônia especial para dar as boas-vindas a 43 novas advogadas. O evento foi marcado por discursos que exaltaram a representatividade feminina na advocacia e a importância da equidade de gênero.

Conduzindo a solenidade, a presidente em exercício da OAB/DF, Roberta Queiroz, destacou a simbologia desse do evento. “Neste mês de março, tivemos uma série de encontros, atividades e projetos desenvolvidos por mulheres e para mulheres aqui na nossa Casa. E a nossa última entrega de carteiras deste mês não poderia ser diferente. Por isso, organizamos uma entrega especialmente para vocês, mulheres, em homenagem a este mês. Sejam muito bem-vindas à nossa cerimônia!”

O diretor-tesoureiro da OAB Nacional, Délio Lins e Silva Jr., também prestigiou a solenidade “Torço e trabalharei para que daqui a três anos esta Casa esteja ainda melhor do que no dia 31 de dezembro, quando encerrei meu mandato. E vocês fazem parte desse progresso. Vocês agora são parte de um exército de quase um milhão e meio de advogados e advogadas, sendo a maioria feminina, chegando a 53% da categoria.”
O presidente licenciado da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, ressaltou a crescente representatividade feminina na advocacia. “Hoje, vemos uma advocacia cada vez mais feminina, não apenas nos números — já somos mais de 53% de mulheres —, mas, principalmente, na forma como a instituição tem tratado os grandes temas com maior sensibilidade e participação feminina.”
Representatividade e compromisso
Em nome das novas inscritas, a advogada Laura Beatriz Carvalho Granja, ressaltou que a atuação do advogado vai muito além do acompanhamento dos processos, sendo um agente essencial na administração do sistema jurídico. “O advogado, portanto, não é um mero espectador do funcionamento do sistema de justiça, mas um verdadeiro administrador desse processo. Caberá a nós, como advogados e advogadas, sermos mediadores entre o cidadão e o Estado, de modo a garantir que a aplicação das leis ocorra de maneira justa, equilibrada e dentro dos limites constitucionais.”

Ela também fez referência ao jurista Rui Barbosa para reforçar a importância da imparcialidade e equidade no exercício do Direito. “A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda”, citou.
Lucinéia Possar, advogada, professora de Direito e diretora jurídica do Banco do Brasil, foi a paraninfa da cerimônia e frisou a essencialidade da advocacia, citando o artigo 133 da Constituição Federal de 1988, que define o advogado como “indispensável à administração da Justiça”. Também mencionou a Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal, que garante amplo acesso dos defensores aos elementos de prova. “Temos prerrogativas e honras, mas também grandes responsabilidades”, pontuou.

Lucinéia ainda fez um paralelo entre a advocacia e os filósofos pré-socráticos, como Heráclito, que serviam às cidades-estado na formulação de pareceres. Segundo ela, a advocacia segue essa mesma lógica: advogar é, acima de tudo, servir. “Servir de acordo com a Constituição e as leis. Servir como solução para aqueles que nos contratam.”.
O protagonismo feminino na advocacia
A presidente da Caixa de Assistência aos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, emocionou o público ao fazer um chamado às novas advogadas. “Nesta cerimônia tão especial, queria que vocês recebessem um chamado para que vocês, como mulheres, enfrentem essa jornada tão difícil que é hoje, mas que é tão necessária para que a gente possa construir um futuro melhor para minha pequena Maya, para as próximas gerações e para as próximas mulheres que virão e, consequentemente, para toda a sociedade uma sociedade muito mais justa.”
Nildete Santana de Oliveira, diretora da mulher, a diretora da mulher da OAB/DF, reforçou o compromisso da instituição com a equidade de gênero e a valorização das advogadas. “Esta Casa é uma Casa paritária que acolhe as mulheres advogadas. É uma Casa que entende que a equidade faz bem para todos, para homens e mulheres.” Ela lembrou que as mulheres representam 54% da população brasileira e 52% da advocacia nacional. “Estamos aqui para ocupar nossos espaços.”
Representando as subseções, Fabrina Gandra, presidente da Subseção do Gama, destacou a importância do momento como um espaço de reflexão. “Este não é apenas um mês de comemoração, mas, como já foi dito por quem me antecedeu, é um período de reflexão. Ainda temos muito a conquistar. Avançamos na paridade aqui na OAB, mas há muitos caminhos a percorrer. E, quando olhamos para a política partidária, a realidade é ainda mais desafiadora: ocupamos apenas 18% das cadeiras do Congresso Nacional. O mesmo percentual se repete na Câmara Legislativa do Distrito Federal.”
Jornalismo OAB/DF