A campanha, lançada nesta manhã, dia 13 de maio, pelas redes sociais da OAB/DF, é baseada em relatos reais de advogados discriminados

A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) lança hoje (13 de maio), a partir de suas redes sociais, uma campanha institucional inédita de combate ao racismo.
A iniciativa é da Diretoria de Igualdade Racial da OAB/DF, que também lança a “Ouvidoria da Igualdade Racial“, a ser acessada pelo site da OAB/DF: https://oabdf.org.br/ouvidoria/
A partir de agora a advocacia e a população em geral contam com a atenção da Ouvidoria que estará conectada com a Comissão de Igualdade Racial.
Os relatos e denúncias encaminhados pelo canal da Ouvidoria serão analisados e terão respostas/orientações da Comissão de Igualdade Racial.
Depoimentos
A campanha utiliza depoimentos reais de advogadas e advogados que foram vítimas de estereótipos, abordagens seletivas e constrangimentos no exercício da profissão e em sua vida civil.
A proposta é denunciar e combater o racismo estrutural que permeia instâncias de poderes públicos, como tribunais, condomínios e estabelecimentos comerciais, entre outros locais de convivência.

Entre os relatos que sustentam a ação, destacam-se experiências de profissionais como Tuanne Costa, diretora de Igualdade Racial da OAB/DF, que ao visitar um condomínio de luxo, foi questionada se era “diarista ou massagista”, sendo sumariamente rotulada antes mesmo de se identificar.
“É inadmissível que o sistema ou o treinamento de funcionários direcione o atendimento para uma afirmação estereotipada em vez de uma pergunta respeitosa”, afirma Tuanne. “Isso está diretamente ligado à cor da minha pele e reforça a ideia de subalternidade que a sociedade tenta impor às pessoas negras.”
Justiça que cega pela cor

A campanha também traz o depoimento da advogada Nikolly Milani, que em um tribunal em Brasília foi questionada por servidores se era “ré” em um processo.

Outro advogado, Humberto Damasceno, relata uma abordagem truculenta e seletiva de um segurança em uma loja, que o acusou de furto. Ainda conta ter sido confundido no Poder Judiciário com um sentenciado em regime de comparecimento periódico, enquanto estava no local para atender um cliente.
Voz institucional

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, cumprimenta a Diretoria e a Comissão de Igualdade Racial, pela campanha e pelo lançamento da Ouvidoria, e reforça que “a Ordem não tolera racismo nem que as prerrogativas da advocacia sejam atropeladas pelo preconceito”.
“Racismo não é mal-entendido! Racismo é crime! E a advocacia é um instrumento de transformação social! Não podemos aceitar que advogados sejam diminuídos ou humilhados por sua cor. Tampouco qualquer outra pessoa da população. Queremos respeito na sociedade; em todas as instâncias de poderes constituídos. Além de aplaudirmos a iniciativa da Diretoria e da Comissão de Igualdade Racial, agradecemos a coragem de todos que fizeram depoimentos. São relatos que nos deixam muito tristes, difíceis, mas que expõem que o racismo está presente na sociedade e que precisamos agir para erradicá-lo.

Jornalismo OAB/DF
