A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) celebrou nesta quarta-feira (11/03), o ingresso de 50 novas advogadas na jornada profissional, em uma sessão solene que homenageou as mulheres, em referência ao Dia Internacional da Mulher. As profissionais receberam suas carteiras das mãos da copresidente Roberta Queiroz e da diretoria feminina da OAB/DF.

A presidente da Caixa de Assistência da Advocacia (CAADF), Lenda Tariana, conduziu o juramento profissional, um compromisso solene firmado pelas profissionais de exercer a profissão com dignidade, ética, defender a Constituição, os direitos humanos, a justiça social e as prerrogativas profissionais. Advogados presentes também renovaram seus votos em coro com as compromissandas.



Oradora
A oradora, Ana Elisa Almeida, realizou um mergulho em sua história, relembrando a infância cercada de familiares que estudavam ou atuavam na área e, que apesar da dificuldade para compreender a linguagem do direito à época, foi o convívio que a inspirou a caminhar nessa direção. “Se um dia aquela criança não compreendia o tal “juridiquês”, hoje compreende algo muito maior: que o Direito é instrumento de transformação, capaz de mudar vidas”, relata.

Ana Elisa também falou de gratidão à família, amigos, professores e à sociedade que a partir de agora conta com cada profissional para a defesa de seus direitos. Destacou ainda os compromissos assumidos por todas ao pegar a carteirinha. “Que sejamos advogadas que ajam sempre com coragem, dignidade, humanidade e propósito. Que nunca esqueçamos que, por trás de cada processo, existe uma vida, uma história e uma esperança depositada em nosso trabalho. E que jamais nos falte fé e gratidão a Deus, que nos guiou até este momento e seguirá iluminando nossos caminhos na advocacia e na vida”, conclamou.
Paraninfa

A diretora da Mulher Advogada da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, foi a paraninfa da turma e iniciou seu discurso destacando a importância das mulheres ocuparem os espaços, uma vez que elas representam 54% da população brasileira. “A democracia não se faz sem a participação feminina. Nada pode ser feito sem nós”, destacou.
Ela observou também que nesse sentido, a OAB inova ao adotar a paridade entre homens e mulheres. Recordou ainda a época do seu recebimento de carteira, há mais de 25 anos e enfatizou a importância da representatividade feminina. “Eu me emocionei muito no recebimento da minha carteira, mas eu não me via na OAB porque não tinha nenhuma mulher na mesa. E a gente fica pensando ‘Nossa, um ambiente tão masculino, só tem homem. Onde estão as mulheres? E hoje em toda entrega de carteira nós temos mulheres na mesa”, conta.
A diretora da mulher introduziu conceitos como o labirinto de cristal e piso pegajoso evidenciando os desafios que as mulheres enfrentam para avançar em suas carreiras e romper com posições menos valorizadas e a desigualdade.
Nildete Santana também falou sobre violência contra a mulher, um produto da masculinidade tóxica, que não se resume à violência física, mas se estende à discriminação, preconceito e disparidade salarial. Ela esclareceu ainda que a luta das mulheres não se trata de uma competição com os homens. “Quando a gente diz que quer esses espaços, nós não estamos falando contra os homens. Nós não queremos o lugar dos homens, nós queremos o nosso lugar, porque somos 54% da população. Nós queremos estar vivas, mesmo dizendo não ao homem”, destacou.

Uma palavra, um propósito
Após a entrega de carteiras, Roberta Queiroz iniciou uma dinâmica para que cada mulher componente da mesa de honra deixasse uma palavra para as novas advogadas, um momento emocionante para relembrar as jornadas pessoais e motivar quem está dando os primeiros passos na carreira.

A copresidente fechou a dinâmica reforçando a importância das mulheres persistirem. “Eu termino o somatório de todas essas palavras que aqui foram ditas, que eu espero que entrem no coração de cada uma de vocês com a palavra imparável. Porque nós, mulheres, precisamos todos os dias sermos imparáveis, incansáveis, resilientes. Porque, no final das contas, é a gente com a gente mesmo apoiando umas às outras”, destacou Roberta.
Roberta Queiroz também convidou o presidente, Paulo Maurício Siqueira, Poli, para finalizar a dinâmica e homenagem. Poli aproveitou para falar sobre os desafios, as responsabilidades que vem a partir de agora para cada uma das advogadas e desejou sucesso. “Vocês estão preparadíssimas e fortes. E essa mesa aqui mostra que mulher tem essa força. Então a gente está muito orgulhoso de fazer essa cerimônia especial só com formandas, com compromissadas e com advogadas que saiam aqui cada vez mais fortes. Parabéns a cada uma de vocês”, disse.
Poli também relembrou o desafio da construção de uma chapa paritária e que a Ordem deu um passo para a mudança das instituições. “Que seja só o começo, da OAB para todas as instituições, para que as mulheres não tenham medo de sair de casa, de serem desrespeitadas, sofrerem violência, que tenham voz, que tenham cada vez mais a representação que a gente precisa que vocês tenham”, pontuou.

Enfim, advogadas
Patrícia Macedo Linhares, 23, foi uma das advogadas a pegar a carteira na cerimônia desta quarta-feira. Ela escolheu o direito, após a perda da avó na infância enquanto aguardava um tratamento de saúde. “Eu não sabia que era possível a judicialização, não sabia que era possível, por meio de um advogado, por meio de uma defensoria pública, tentar salvar minha avó. Então, daquele momento que eu tive consciência da perda dela e de todo o cenário que englobou isso, eu decidi que eu cursaria direito”, conta.
Patrícia ingressou na faculdade aos 16 anos. Em seus estágios, desenvolveu uma paixão: a defensoria pública, que fez questão de gravar na pele. “Eu atuei no núcleo de defesa da saúde, aqui na 909 Norte, depois na sede e aí eu pude mais uma vez tentar tomar a história da minha avó, porque o que eu não pude fazer por ela, eu pude fazer pelas outras pessoas no núcleo de defesa da saúde, da defensoria pública”, relata.

A advogada Adrielle Jesus da Silva, 27, se tornou mãe durante a graduação e enfrentou os desafios para conciliar a maternidade, a graduação e o trabalho, fez questão de levar seus pais e filha para participar do momento da entrega da carteira. “Como eu fui mãe, por diversas vezes eles me sustentaram, me levantaram, ficaram com a minha filha pra mim. Às vezes eu ia pra faculdade, levava ela pra faculdade, minha mãe vinha do trabalho e buscava. Quantas vezes eu precisei trabalhar, estagiar e o meu pai faltou trabalho pra levar minha filha pra escola. Então assim, foi muito importante pra mim tê-los nesse momento”, relata.

Larissa Alves de Sousa, 30, também deu seu primeiro passo profissional. Para ela, os desafios que a cercaram se tornaram motivação para atuar na advocacia. “Vi muitas mulheres, muitas amigas passam por situações difíceis em que sozinhas elas não tinham coragem para lutar, principalmente em casos de violência e foi muito difícil. Então hoje eu acho que o meu maior objetivo é esse poder, tentar ajudar, dar voz para quem já foi silenciado muitas vezes e tentar lutar junto com as mulheres que precisam”, destacou.

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Fotos: Alex Bandeira e Luiz Júnior
Jornalismo OAB/DF
