Como a escolha das palavras pode transformar o rumo de um processo familiar? Essa foi a provocação central do evento “Linguagem Simples e Humanizada no Direito de Família”, realizado na última terça-feira (04/06) pela Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF). A atividade foi promovida pelas Comissões de Direito das Famílias e de Linguagem Simples.

A presidente da Comissão de Direito das Famílias da OAB/DF, Marcela Furst, ressaltou a importância de uma abordagem acolhedora no trato com os conflitos familiares. “Adotar uma linguagem humanizada no Direito de Família é, na prática, assumir o compromisso com uma comunicação clara, acessível e respeitosa. É reconhecer que por trás de cada processo existem emoções, histórias de vida e vínculos afetivos que precisam ser considerados com sensibilidade.”

“A linguagem jurídica tradicional, muitas vezes rebuscada e desumanizada, pode gerar falta de compreensão por parte das pessoas envolvidas no processo. Isso compromete a eficiência da Justiça e ainda pode perpetuar estereótipos culturais que prejudicam, especialmente, mulheres e crianças,” explicou Marcela.
Ela também reforçou que o papel do advogado vai além da técnica. “Mudar a linguagem é também mudar a forma como conduzimos o conflito. Isso pode influenciar diretamente no desfecho do processo, contribuindo para a preservação dos laços familiares e para a pacificação das relações, evitando que o litígio se torne ainda mais traumático para todos os envolvidos.”
Na sequência, a advogada e professora Olívia Rocha Freitas, doutora e mestre em Estudos da Linguagem, presidente da Comissão de Linguagem Simples da OAB/DF, trouxe uma análise técnica sobre os desafios e benefícios da aplicação da linguagem simples no universo jurídico. “A linguagem simples prima pela objetividade, clareza e precisão das informações. Não utiliza palavras em excesso e constrói o texto de forma direta e simples, para que esse seja mais fluido e melhor compreendido pela sociedade. A partir do momento em que uma pessoa lê e compreende os termos de um documento, ela passa a ser incluída no debate jurídico como parte legítima e atuante.”

A palestrante apresentou ainda ferramentas práticas para advogadas e advogados aprimorarem sua comunicação, como o uso de estrutura visual clara, vocabulário inclusivo e eliminação de termos técnicos desnecessários. “A linguagem técnica é essencial para a comunicação no mundo jurídico e deve ser utilizada. O que impede uma comunicação efetiva é o uso excessivo de jargões, de palavras estrangeiras (especialmente latim), de frases longas e confusas. Essas são características do que denominamos de ‘juridiquês’, terminologias ou técnicas de escrita que tornam o texto rebuscado e prolixo, dificultado sua compreensão.”
Jornalismo OAB/DF
