Com um episódio especial dedicado à valorização da dublagem brasileira, a Comissão de Direitos Autorais da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) lançou nesta segunda-feira (12/05) a segunda temporada do podcast Vozes Autorais. O episódio reuniu representantes da Associação de Dubladores Dario de Castro (ADDC) para debater os desafios da profissão diante do avanço da inteligência artificial e a luta pelo reconhecimento da dublagem como patrimônio cultural.

A conversa teve a mediação de Lucas Sérvio, presidente da Comissão de Direitos Autorais da OAB/DF e contou com a participação de nomes importantes da dublagem nacional, como Marisa Leal, Adriana Torres, Victor Vaz e Wirley Contaifer.
No debate, os convidados discutiram a proposta legislativa que busca regulamentar o uso de inteligência artificial na dublagem, um projeto que já conta com mais de 15 mil apoios no site do Senado e precisa de 20 mil assinaturas até agosto para ser encaminhado como sugestão legislativa. Apoie a iniciativa aqui: Lei federal para a proteção da dublagem brasileira.
Marisa Leal destacou que a iniciativa representa uma forma de proteger a profissão e a qualidade do conteúdo oferecido ao público. “A dublagem é uma arte, não é simplesmente colocar uma voz em cima de um personagem. É você dar sentimento, é você dar intenção, é você se entregar àquele momento. E isso a inteligência artificial não consegue fazer, porque ela não tem alma, ela não tem coração, ela não tem a vivência que a gente tem como ser humano.”
Adriana Torres, por sua vez, reforçou a importância da preservação da dublagem como expressão artística e cultural. “A dublagem é um ofício muito complexo, que envolve uma cadeia criativa enorme: tem tradutores, adaptadores, diretores, atores que usam a voz como instrumento principal. É um trabalho que exige técnica, mas também sensibilidade. E essa cadeia precisa ser reconhecida, valorizada e, principalmente, protegida contra ameaças como o uso indiscriminado da inteligência artificial.”
Já Wirley Contaifer, lembrou da história de resistência da categoria e homenageou os pioneiros da dublagem brasileira. “Nós, dubladores, nos fazemos eternos com a nossa voz. Quando você ouve um personagem que marcou sua infância, é a nossa alma que está ali, é a nossa memória, é o nosso legado. A dublagem não é só técnica, é sentimento, é história. E quando tentam substituir isso por produções artificiais, por inteligência artificial, estão ameaçando não só a nossa profissão, mas a arte de contar histórias, que é algo que conecta gerações.”
O programa também destacou o trabalho da ADDC, associação criada para representar os dubladores em todo o país, que leva o nome do ator Dario de Castro. Com sede no Rio de Janeiro, mas atuação nacional, a entidade tem como objetivo lutar pelos direitos da categoria e ampliar a conscientização sobre os impactos das novas tecnologias no setor.
Além de defender a regulamentação do uso da inteligência artificial, os participantes também refletiram sobre a importância da dublagem para a acessibilidade, a formação cultural e o afeto gerado entre personagens e público. “A dublagem brasileira tem uma história riquíssima. Ela está na infância de milhões de brasileiros, está nos filmes que a gente assistiu, nas séries, nos jogos de videogame. Ela faz parte do imaginário coletivo, do jeito que o nosso povo se conecta com as histórias. É algo que não pode ser simplesmente substituído por uma máquina”, afirmou Victor Vaz.
O episódio está disponível no YouTube da OAB/DF. Assista aqui:
Jornalismo OAB/DF
