Roda de conversa aprofunda sentido de inclusão em evento na OAB/DF para promover oportunidades de trabalho a pessoas com deficiência - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Roda de conversa aprofunda sentido de inclusão em evento na OAB/DF para promover oportunidades de trabalho a pessoas com deficiência

Para além da conexão direta entre empresas e candidatos, a “Feira de Oportunidades de Contratação de Pessoas com Deficiência e Jovens Aprendizes” realizada na Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), neste sábado (27), abrigou uma “roda de conversa” que se tornou um ponto alto do evento. O encontro reuniu representantes de empresas, pessoas com deficiência, membros do Ministério Público e do Judiciário e da OAB/DF, para um diálogo franco sobre os desafios, as barreiras e os caminhos para uma inclusão efetiva no mercado de trabalho.

Da cota à inclusão genuína

Jacqueline Amarílio de Sousa, vice-presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/DF e organizadora do evento na Casa, destacou a pluralidade da discussão. Ela ressaltou que se falou sobre a dificuldade das empresas não só em contratar, mas em “manter a contratação” e também foram importantes as observações sobre as empresas promoverem uma verdadeira inclusão, integrando as pessoas, e buscando um ambiente laboral sem discriminações. Os relatos na sala trouxeram questões como “discriminação ou assédio no ambiente de trabalho”, evidenciando que, infelizmente, muitas empresas se mostram “inclusivas só no cumprimento de cotas”, sem efetivar a inclusão. Uma questão a ser enfrentada.

Para Jacqueline Amarílio, o verdadeiro propósito do trabalho deste dia na OAB/DF foi trabalhar não só a vaga de emprego, mas algo maior: “a inclusão social”. Para ela, a diversidade dentro da empresa é parte essencial desse cumprimento. A advogada enfatizou sua fala sobre o “encorajamento para que as pessoas denunciem os atos de discriminação” e que as empresas busquem “evoluir, não só no cumprimento de cotas, mas na efetiva inclusão”. Um dos frutos vislumbrados desse diálogo, na opinião da vice-presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/DF, é a ideia de que os participantes consideram essencial que “iniciativas inclusivas comecem na infância”. Foi marcante uma das colocações dos particiapntes sobre a ausência de parques infantis acessíveis no DF. “É algo relevante e que precisamos pensar”, ponderou.

Formação como um pilar para mais oportunidades

E/D: Stephanie, Anderson, Lorena, Helaine e Luciano

Lorena Machado de Lima, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/DF, participou da roda de conversa, representando o presidente do colegiado, Gerson Wilder de Sousa Melo. Ao lado dela, mais membros da Comissão estiveram presentes e fizeram contribuições ao debate: o secretário-geral Anderson Sant'Anna; e os membros Luciano Ambrosio Campos, Helaine de Fátima da Silva Miranda e Stephanie Batista da Mata.

Sobre a roda de conversa, Lorena destacou que o coletivo apontou que as pessoas com deficiência têm, desde a mais tenra idade, dificuldade de acesso à formação educacional e profissional por uma séria de barreiras a serem quebradas, mas pior delas é o preconceito. E, de outro lado, as empresas procuram sempre pessoas com formação. Assim, para ela, a transformação da sociedade passa por uma base sólida: “Como é que a gente vai transformar a sociedade, se a gente não transforma a base?”, questionou. “Tenho que olhar para a pessoa, e não para a deficiência!” Segundo a advogada, “inclusão é entender o outro, e se colocar no lugar do outro; ajudar o outro. Reconhecer como cada pessoa é importante na sociedade”.

A urgência e o benefício da diversidade

E/D: juíza Thaís Bernardes Camilo Rocha e a vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/DF, Lorena Machado de Lima

A juíza do trabalho Thaís Bernardes Camilo Rocha, gestora do Subcomitê de Acessibilidade e Inclusão do TRT-10 e organizadora da Feira refletiu que a roda de conversa colocou ainda mais luz sobre a importância de resolver a “dificuldade de conexão” entre quem busca trabalho e quem oferece emprego, justamente, o principal objetivo do projeto ali em andamento. Ela sintetizou a mensagem do encontro de forma poderosa: “Todos são capazes”. Para a juíza, a diversidade é inerente à natureza humana, e a inclusão não pode esperar. “A inclusão tem que acontecer já. A gente não vai esperar a conscientização”, afirmou, explicando que “a conscientização virá também com a inclusão efetiva”.

Para a juíza Thaís Bernardes, a inclusão é um direito e um benefício para todos: “É um direito, um dever da sociedade, mas é um benefício para todos”. Ela tem a convicção de que a convivência com as diferentes experiências e desafios humanos enriquece o coletivo, transformando o ambiente de trabalho e a sociedade em um todo mais justo e empático.

Fotos: Alex Bandeira

Veja aqui o álbum completo de fotos do evento

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