Rose Morais destaca posicionamento da OAB por recuperação judicial sem coerção fiscal indireta - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Rose Morais destaca posicionamento da OAB por recuperação judicial sem coerção fiscal indireta

“O Brasil precisa de um sistema de insolvência capaz de preservar o que é viável, liquidar com eficiência o que já não se sustenta e enfrentar com tudo o que rompe a boa-fé e compromete a integridade do mercado”, afirma secretária-geral da OAB, evento na OAB/DF

A secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil, Rose Morais, representando o presidente da instituição, Beto Simonetti, nesta manhã de quarta-feira (15), fez a abertura do “Encontro das Comissões OAB – Recuperação Judicial, Falência e Empresarial”, evento que acontecerá ao longo do dia na sede da Seccional do Distrito Federal. Rose Morais trouxe a “posição política e institucional” da OAB, reconhecendo “o peso desta pauta e a envergadura da advocacia que a sustenta”.

Segundo Rose Morais, “o que está em jogo nunca é apenas o destino de uma sociedade empresária”. Para ela, “o que está em jogo é a confiança nas regras, a estabilidade das relações econômicas, a proteção do trabalho, a circulação de riqueza e a autoridade do direito no país”.

Ressaltou Rose Morais que a advocacia que atua nesse campo “sabe que preservar a empresa viável exige técnica, prudência e leitura econômica, e sabe, da mesma foram que reprimir fraude, abuso e desvio patrimonial é dever indeclinável”.

“Foi com essa compreensão que o Conselho Federal, no mês passado, levou ao Supremo Tribunal Federal a discussão sobre o art. 13, inciso I, alínea “d”, da Lei Complementar nº 225/2026. O dispositivo impede a propositura ou o prosseguimento da recuperação judicial e admite a convolação em falência quando houver classificação administrativa de devedor contumaz”, explicou a secretária-geral da OAB, para dizer que “o ponto é direto: o sistema de reestruturação empresarial não pode ser submetido a mecanismo indireto de coerção fiscal, nem a restrições que comprimam o acesso à Justiça”.

Rose Morais detalhou que “ao levar a controvérsia ao plano constitucional, a Ordem reafirma o eixo que deve orientar esse debate: preservação da empresa viável, devido processo e respostas institucionais íntegras para a crise”. “Defender um sistema de insolvência íntegro é defender instituições fortes, garantias respeitadas e respostas juridicamente responsável para a crise”.

Disse ainda a secretária-geral da OAB que “é afirmar que o país não pode substituir a seriedade do processo por atalhos que fragilizem direitos, comprometam a confiança e desorganizem o ambiente de negócios”.

Cumprimentos

Rose Morais cumprimentou a organização do evento, pela programação elaborada pelas Comissões Especiais de Recuperação Judicial, de Falência e Empresarial do Conselho Federal.

O congresso reúne presidentes e representantes das Comissões das OAB seccionais, além de advogados e profissionais que atuam no campo da insolvência empresarial, com o objetivo de promover a integração e o fortalecimento da advocacia especializada na área.

“Aqui se discutirão temas que definem a qualidade do sistema: os efeitos da nova legislação, a recuperação judicial no agronegócio, os honorários na insolvência e os desafios da verificação e da habilitação de créditos e é para isso que as comissões existem, para reunir as experiências das seccionais, dar consistência técnica ao debate e transformar o conhecimento da advocacia em formulação institucional. Reunir este campo hoje, em Brasília, é afirmar uma direção”, pontuou Rose Morais.

E/D: Breno Miranda; Luciano Pavan; Rose Morais; Juliana Bumachar e Adelino Neto

Palavras de cumprimentos da secretária-geral nominaram o presidente da Comissão Especial de Direito Empresarial, Eurico de Jesus Teles Neto, e ali presentes com ela na mesa de abertura: a presidente da Comissão Especial de Recuperação Judicial Juliana Hoppner Bumachar Schmidt, o presidente da Comissão Especial de Falências, Luciano Pavan de Souza; o presidente da Associação Brasileira de Administradores Judiciais (ABAJUD), Adelino Neto; e o conselheiro federal, pelo Mato Grosso, Breno Miranda, membro da Comissão de Recuperação Judicial e Falência da OAB/SP e procurador-adjunto da Procuradoria Especial de Defesa dos Honorários Advocatícios da OAB Nacional.

Especialistas

Juliana Bumachar, na abertura do encontro, ressaltou o espírito colaborativo entre as comissões na organização do evento. “Comissões sem vaidade. Isso aqui é resultado de um milhão de forças e de trabalho coletivo. Este evento só foi possível porque unimos esforços e acreditamos que daria certo”, afirmou, ao agradecer o apoio institucional e o empenho das equipes envolvidas.

Ela também destacou a atuação conjunta inédita entre as comissões. “Não existe divisão entre comissão de recuperação e comissão de falência. Estamos trabalhando juntos, e isso fortalece a advocacia e o debate”, completou.

Luciano Pavan enfatizou o caráter histórico da iniciativa. “Este é o primeiro evento do Conselho Federal dedicado a discutir recuperação judicial e insolvência de forma ampla. Isso é histórico, e todos vocês fazem parte desse momento”, declarou.

Breno Miranda, por sua vez, destacou o esforço coletivo para viabilizar o encontro. “A realização deste evento demonstra a dedicação das comissões e o compromisso institucional com temas tão relevantes. A casa está cheia porque há interesse e necessidade de aprofundar esse debate”, disse.

Adelino Neto também participou da mesa e ressaltou a importância da iniciativa para a advocacia empresarial. “É uma satisfação participar deste encontro que reúne profissionais comprometidos com o fortalecimento do Direito Empresarial no país. Parabenizo a OAB Nacional pela organização e pela oportunidade de promover um debate qualificado sobre recuperação judicial e falência, temas essenciais para o desenvolvimento econômico e jurídico do Brasil”, afirmou.

Detalhes do evento

O evento busca conferir maior prestígio institucional à atuação dos advogados que se dedicam à recuperação judicial, à falência e à reestruturação de empresas no Brasil.

Ao longo de um dia de programação, serão debatidos temas atuais e relevantes para a prática jurídica, como os impactos da Lei Complementar nº 225/2026 no regime jurídico, as peculiaridades da recuperação judicial no agronegócio, a discussão sobre honorários advocatícios nos processos de insolvência, bem como questões estruturais relacionadas à habilitação e habilitação de créditos na falência. Também serão analisadas estratégias contemporâneas para a liquidação eficiente de ativos e alienação de unidades produtivas isoladas, além dos mecanismos de enfrentamento a fraudes, abuso de direito e responsabilização de sócios e administradores no contexto falimentar.

O congresso tem como propósito criar um espaço qualificado de diálogo, reflexão e troca de experiências entre profissionais do direito, contribuindo para o aperfeiçoamento do sistema brasileiro de insolvência empresarial e para o fortalecimento do papel da advocacia na condução de processos de reestruturação e liquidação de empresas.

O Encontro das Comissões OAB – Recuperação Judicial, Falência e Empresarial está sendo realizado hoje, dia 15, de 8h às 18h30, no Auditório José Paulo Sepúlveda Pertence, localizado no Conselho Seccional da OAB/DF (SEPN 516, Bloco B, Lote 07 – Brasília – DF).

O evento certificará os participantes em 8h30 (oito horas e trinta minutos) a título de atividade complementar.

Fotos: Roberto Rodrigues (OAB/DF) e Eugenio Novaes (CFOBA)

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Jornalismo OAB/DF com informações da OAB Nacional

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