A nova turma da Residência Jurídica da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) foi recepcionada com uma Aula Magna ministrada pelo juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Aragonê Fernandes. O evento foi realizado na noite de terça-feira (06/08), no Mezanino da sede da OAB/DF, e marcou o início das atividades da edição 2/2025 do programa.

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, prestigiou o evento e reforçou a importância do programa. “Para nós, é muito importante estar sempre investindo nesse programa, que, de fato, talvez seja a maior conquista que tivemos, em termos de gestão, desde 2019, pois mudou a vida de tantas pessoas. Pessoas que estão aqui na primeira fila, que estão conosco, os monitores, pessoas que em plena segunda-feira, recebeu o diploma e hoje já está aqui novamente. O Residência, de fato, é apaixonante. Que vocês comecem nova jornada de muito sucesso.”

A vice-presidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, destacou a grandiosidade da iniciativa. “Esse projeto é emblemático para a advocacia no Brasil, porque somos a primeira Seccional a implementar a Residência Jurídica e, até hoje, a única com uma turma deste tamanho, preocupada com a imersão e o aperfeiçoamento da advocacia, em parceria com os escritórios do Distrito Federal, que vão recebê-los a partir da próxima semana.”

Aula magna
Em sua palestra, Aragonê Fernandes contou como descobriu que seu filho desejava seguir sua carreira. A confirmação veio por terceiros, quando uma mãe comentou que o menino dizia querer ser igual ao pai. Surpreso, Aragonê perguntou ao filho, que confessou ter medo de não agradá-lo. O magistrado então reforçou seu orgulho, incentivando o filho a seguir seus passos. A partir daí, o menino passou a assumir, com segurança, sua admiração pela profissão do pai.

A partir desse episódio, o magistrado destacou o valor das conexões, da curiosidade, do estudo constante e do enfrentamento das dificuldades como pilares da formação profissional. Compartilhou bastidores de sua trajetória até alcançar a magistratura, passando por diversos concursos, reprovações, estudos autodidatas e redes de apoio fundamentais. “Vocês vão olhar e talvez achem que não é uma boa oportunidade. E, de fato, algumas não serão. Haverá escritórios excelentes e outros nem tanto. Haverá pessoas boas e outras nem tão bem-intencionadas. Mas tudo isso faz parte do crescimento. O cérebro trabalha com comparações. Não é à toa que existe o namoro: a pessoa namora para comparar, para saber o que quer. No escritório também é assim. Às vezes, ter contato é mais vantajoso do que ter dinheiro.”
Ele também alertou sobre os riscos de uma advocacia superficial e baseada exclusivamente em tecnologia. “A inteligência artificial é uma ferramenta. Mas o profissional é você. Onde houver apenas IA, sem inteligência humana, a IA assumirá o seu lugar. A IA não tem empatia, não conhece o réu, não olha nos olhos da família dele. Você, sim.”
Aragonê abordou os desafios dos concursos públicos e da prática jurídica, lembrando que o caminho de crescimento é feito de erros, tentativas e resiliência. “Se você não quer errar, não faça nada. Se não fizer nada, não erra. Mas também não avança. Vá para o escritório, enfrente as dificuldades, ganhe menos, passe por frustrações. Quem não passa por isso, não evolui. E desconfie de quem só teve sucesso. Nas redes sociais, todos são vitoriosos. Mas a vida real é diferente. Eu enfrentei muitos obstáculos. E aprendi com meu pai: é melhor escapar em desvantagem do que fracassar com elegância.”
Ao final, deixou uma mensagem de incentivo aos novos residentes jurídicos. “Na corrida da vida, ninguém terá pena de você. Só dirão: ‘Vá em frente.’ Então, faça o que for necessário e siga. A vida é daqui pra frente. O que ficou para trás, ninguém mais considera. E quem estiver aqui com muita vontade de vencer, com determinação, vai vencer. Não importa de onde veio. Às vezes, nos impomos não por origem, mas por uma resiliência difícil de ser quebrada. E não tenha medo do fracasso, pois ele virá muitas vezes. O importante é continuar.”

O diretor-geral da Escola Superior da Advocacia (ESA/DF), Ricardo Barbosa Cardoso, destacou o ineditismo e o esforço por trás da estruturação do curso. “Essa pós-graduação existe por vários motivos. Primeiro porque é um produto que não existe em nenhum lugar. Se você procurar pra comprar, não vai encontrar. Outras seccionais já nos visitaram para aprender o modelo. A faculdade não forma advogados. Aprendemos a teoria, mas quando recebemos a carteira da OAB, a realidade bate à porta. E muitas vezes a gente não sabe nem despachar com o juiz. A taxa de empregabilidade é alta, mas depende da dedicação e comprometimento com o curso. Sejam bem vindos, aproveitem. Serão dias intensos que valem a pena.”

O ex-residente Lucas Zerbinato, também presente, compartilhou sua experiência e incentivou os novos participantes. “Essa é uma oportunidade muito grande de fazer diferença na vida das pessoas. A partir desse programa, eu espero de verdade que ele ligue a sua vida e torne a sua carteira da OAB ainda mais promissora, a ponto de impactar a vida de quem mais precisa do trabalho de vocês. A residência vai preparar vocês pra atuação oral, para o PJe, para a precificação de honorários e muito mais. É uma ponte com o mercado.”
Jornalismo OAB/DF
