Força feminina: OAB/DF concede Medalha Myrthes a mulheres notáveis - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Força feminina: OAB/DF concede Medalha Myrthes a mulheres notáveis

Quatro mulheres foram agraciadas em reconhecimento aos seus relevantes serviços à Justiça, ao Direito e à sociedade

Em uma noite marcada por emoção e reconhecimento, a Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) celebrou, nesta segunda-feira (31/03), a trajetória de quatro mulheres que, com dedicação e excelência, têm deixado um legado na Justiça e na advocacia brasiliense.

Paulo Maurício Siqueira, presidente da OAB/DF, Roberta Queioz, presidente em exercício, e as homenageadas da Medalha Mythres 2025.

A honraria foi concedida para a Dra. Anelize de Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional; Dra. Francisca Aires, advogada com quase 50 anos de atuação e referência no Direito Trabalhista; Dra. Kátia Magalhães Arruda, ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST); e Dra. Rita de Castro Hermes Meira Lima, defensora pública do Distrito Federal.

A cerimônia

Na abertura da solenidade, Délio Lins e Silva Jr., diretor-tesoureiro da OAB Nacional, destacou o simbolismo do momento ao relembrar a trajetória da instituição e daqueles que contribuíram para sua história. “Quero externar a alegria e a honra de voltar à esta Casa, que tive a honra de presidir e caminhar lado a lado com muitos que estão aqui. Estamos prestigiando essa cerimônia que para nós é muito especial, e passa um filme na cabeça lembrando dos seis anos que fizemos algo semelhante. E que assim seja, homens e mulheres caminhando juntos. Que a cada ano essa cerimônia possa homenagear pessoas que merecem e que fazem parte da nossa história. Homenageio as agraciadas na pessoa da nossa querida decana, dra. Chiquinha, que é um grande exemplo para todos nós.”

Délio Lins e Silva Jr., diretor-tesoureiro da OAB Nacional fazendo discurso de abertura da solenidade

A presidente da Seccional, em exercício, Roberta Queiroz, destacou a importância de dar continuidade ao legado das mulheres pioneiras, como Myrthes Gomes de Campos, que dá nome à medalha concedida anualmente pela OAB/DF. Ao relembrar sua história, ressaltou os desafios enfrentados no final do século XIX, quando Myrthes enfrentou forte resistência para ingressar no Instituto dos Advogados, precursor da OAB. Em seu discurso, enfatizou a crescente atuação feminina na advocacia. “Os antigos preconceitos ficam para trás. Nós, mulheres, somos incansáveis, imparáveis, e assim continuaremos sendo.”

Presidente da Seccional em exercício, Roberta Queiroz

Em seu pronunciamento, o presidente licenciado da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, refletiu sobre as conquistas da instituição no que diz respeito à inclusão das mulheres nos espaços de decisão. “Quando lá atrás ousamos estabelecer um critério de 30% de mulheres nas chapas, fomos taxados de loucos. Na eleição seguinte, aumentamos a meta e fomos a 50%. Fomos eleitos e conseguimos fazer com que isso se tornasse uma regra nacional”, lembrou, enfatizando que a participação feminina foi fundamental para transformar a Ordem dos Advogados do Brasil. “A OAB é outra desde 2019, graças à participação feminina”, endossou. 

Presidente licenciado da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira

A diretora da Mulher da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, fez uma reflexão sobre as conquistas das mulheres, que, segundo ela, não foram dadas, mas conquistadas a duras penas. “Nossa história é uma história de vitórias, mas nada nos foi presenteado. Todas as nossas aquisições são fruto de luta. Devemos reconhecer a urgência de agir no presente, para que possamos construir um futuro mais equitativo e justo”, declarou Nildete. Ela enfatizou a importância de ocupar os espaços de poder e decisão, não apenas como beneficiárias das mudanças, mas também como protagonistas delas.

Diretora da Mulher, Nildete Santana de Oliveira

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar, lembrou a importância da trajetória histórica das mulheres na advocacia, citando Esperança Garcia como pioneira na luta por justiça, antes mesmo da formalização da profissão e o citar Angela Davis e Virginia Woolf, Sthefany chamou atenção para a luta pela visibilidade e pelo reconhecimento das mulheres, destacando que essa honraria não é apenas uma celebração, mas um compromisso com a continuidade da luta por uma advocacia mais igualitária e representativa. “É um símbolo, um lembrete de que precisamos continuar avançando, resistindo, lutando, ocupando espaços, formando redes e garantindo que nenhuma mulher caminhe sozinha nessa profissão.”

Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar

Por fim, a presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, reforçou o papel essencial das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. “Para que tantas mulheres hoje pudessem ocupar esse auditório hoje à noite, tem que ter, invariavelmente, o apoio de alguém. Alguém para cuidar do seu filho, alguém para cuidar da sua mãe, alguém para cuidar do seu pai. Um trabalho que teve que ser adiado. Carregamos muitos fardos e precisamos de estrutura para que os fardos de hoje se tornem minimamente sustentáveis. Precisamos de rede de apoio, precisamos da união entre mulheres e a consciência da sociedade para que possamos ter um mundo mais justo e igualitário.”

Presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana

Na ocasião, a solenidade contou com apresentação musical executada pela escola de percussão Instituto Folha Seca e interpretada pela cantora e compositora Laady B.

As agraciadas

Anelize de Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional, dedicou a homenagem a duas mulheres essenciais em sua vida: sua mãe, que sacrificou seus próprios sonhos para apoiar os dela, e sua filha, pela qual espera um futuro melhor, onde as mulheres não precisem lutar pelos direitos conquistados ao longo da história. “Minha mãe me trouxe até aqui, que deixou de sonhar os sonhos dela para sonhar os meus”, compartilhou Anelize, com voz emocionada. “E a minha filha, que eu espero que viva num mundo melhor, onde não tenha que lutar pelos direitos como a gente teve e todas as mulheres que vieram antes da gente.” 

Anelize de Almeida, procuradora-geral da Fazenda Nacional

Com humor e autenticidade, Francisca Aires celebrou a honraria, relembrando sua trajetória desde sua origem no Norte do país até sua consolidação na profissão que escolheu e ama. “Chegar aqui, vindo de uma região difícil e distante como o Norte, é muita coisa, né?”, refletiu. Para ela receber essa medalha é mais que uma homenagem, é uma responsabilidade. “Como se fosse uma joia colocada no meu peito, que quero conservar e honrar todos os dias”, afirmou a advogada.

Advogada Francisca Aires

Já a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Kátia Magalhães Arruda, fez referência a mulheres pioneiras que marcaram a história do Brasil. “Zuzu Angel e Eunice Paiva sacrificaram suas vidas pela democracia. Maria da Penha se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica. E, no Direito, tivemos Myrthes de Campos, a primeira mulher advogada do Brasil, e Auri Moura Rocha, a primeira juíza do Brasil, em 1939. Essas mulheres foram resistência. Elas construíram este país”, enfatizou.

Kátia Magalhães Arruda, ministra do TST

A defensora pública Rita de Castro Hermes Meira Lima fez uma reflexão sobre a luta por uma sociedade mais livre, justa e solidária. “Que nos próximos ciclos da nossa história coletiva, a gente siga plantando essa semente de liberdade e fluidez. E que, um dia, possamos falar menos em luta e mais em amor.” Ela ainda enfatizou que gênero e raça precisam atravessar todas as áreas do conhecimento jurídico. “Se estamos aqui trabalhando em prol da justiça, que a gente não perca isso de vista quando estivermos fazendo um contrato, atendendo uma mulher na vara de família ou uma mãe que perdeu um filho para a polícia”, disse, trazendo a realidade dura que muitas mulheres ainda enfrentam.

Defensora pública Rita de Castro Hermes Meira Lima

Liderança feminina

Ao fim da solenidade, as diretoras da OAB homenagearam a presidente em exercício Roberta Queiroz, reconhecendo sua atuação à frente da instituição no Mês da Mulher. 

Diretoras homenageando a presidente em exercício, Roberta Queiroz

Representando todas as diretoras, a diretora-tesoureira da OAB/DF, Raquel Cândido, pontuou os desafios enfrentados pela gestão e a forma como Roberta conduziu a OAB/DF com firmeza, coragem e sensibilidade. “Ela é uma presidente que nos inspira, que nos ensina, que como você bem tem dito, para todos nós, só quem suporta a caminhada tem direito à vista mais bonita da montanha. Você pode contar com esse time aqui de mulheres para te carregar no colo e para o que você precisar, para o que der e vier.”

O legado de Myrthes Gomes de Campos

Medalha Myrthes Gomes de Campos

Criada em 2016, a Medalha presta homenagem a Myrthes Gomes de Campos, pioneira na advocacia feminina no Brasil. Natural de Macaé (RJ), Myrthes formou-se em Direito em 1898, mas enfrentou a resistência de uma sociedade que não reconhecia o espaço da mulher na profissão. Somente em 1906 obteve autorização para exercer a advocacia, sendo símbolo de coragem e superação. Seu nome, hoje, ecoa como um marco na luta pela equidade de gênero no meio jurídico.

A Medalha é concedida a advogadas e autoridades que se destacam na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de gênero. As homenageadas deste ano foram indicadas pela Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF e aprovadas por unanimidade pelo Conselho Pleno.

Acesse as fotos da cerimônia.

Assista à íntegra da solenidade:

Jornalismo OAB/DF

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