INSS e saúde mental: jurisprudência, prova e ação jurídica - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

INSS e saúde mental: jurisprudência, prova e ação jurídica

Além da palestra sobre “Depressão e Ansiedade e as barreiras enfrentadas na Busca por Benefícios junto ao INSS”, proferida na noite de quarta-feira (24), na Subseção de Samambaia, a Dra. Alessandra da Silva Araújo, conselheira da OAB/DF e presidente da Comissão de Direito Previdenciário da Subseção de Samambaia, respondeu perguntas sobre o tema, oferecendo orientações práticas que complementam a sua abordagem.

Veja em oito tópicos, a seguir, como ela responde questões como: evolução jurisprudencial, os desafios na comprovação médica e os impactos da pandemia, além de conselhos essenciais para advogados que militam na área.

  1. Evolução Legislativa e Jurisprudencial
    Nos últimos anos, a jurisprudência tem reconhecido com mais clareza a depressão e a ansiedade como condições incapacitantes. Hoje se entende que não basta o diagnóstico, mas sim a análise do impacto na capacidade de trabalho. Essa evolução deu maior segurança às estratégias jurídicas dos advogados.
  2. Desafios na Comprovação Médica
    O maior desafio é a subjetividade. Não existem exames laboratoriais que comprovem incapacidade. O que mais fortalece o processo são relatórios psiquiátricos detalhados, evolução clínica e descrição das limitações cotidianas do paciente.
  3. Perícia Médica e Atestmed
    O Atestmed trouxe agilidade, mas também muitos indeferimentos automáticos. É um avanço em termos de acesso, porém exige que os advogados orientem seus clientes a apresentar atestados completos e fundamentados, para evitar negativas.
  4. Estigma e Preconceito
    O preconceito ainda é muito presente. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado a sério. A estratégia é demonstrar de forma clara, com documentação médica e relatos, que a doença impacta diretamente na vida laboral do segurado.
  5. Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS)
    O BPC exige comprovação de deficiência de longo prazo que gere barreiras sociais e renda familiar baixa. Nos casos de transtornos mentais graves, é necessário mostrar como a condição limita não apenas o trabalho, mas a participação plena na sociedade.
  6. Reabilitação Profissional
    O INSS tem programas de reabilitação, mas sua efetividade ainda é baixa. É fundamental que advogados orientem os clientes a solicitar formalmente e, se necessário, judicializar para garantir acesso.
  7. Impacto da Pandemia de COVID-19
    A pandemia trouxe um aumento expressivo nos afastamentos por transtornos mentais. Apesar disso, o INSS não criou políticas específicas. Houve um crescimento da judicialização, e os tribunais têm se mostrado sensíveis a esse novo contexto.
  8. Desafios Jurídicos Atuais
    O principal desafio é superar perícias superficiais e exigências excessivas de provas. Muitas vezes a judicialização é o único caminho para assegurar os direitos dos segurados.
  9. Políticas Públicas e Saúde Mental
    Ainda há lacunas na legislação e nas políticas públicas. O tema precisa de maior atenção do Estado, tanto na prevenção quanto no apoio aos segurados. O papel da advocacia é também fomentar esse debate.
  10. Orientações para Advogados
    O mais importante é orientar o cliente desde o início: laudos médicos completos, histórico de tratamento, prognóstico e limitações funcionais. Além disso, é preciso ter uma escuta atenta e acolhedora, já que esses clientes se encontram em vulnerabilidade emocional.

Leia mais sobre esse tema em matéria sobre a palestra

Jornalismo OAB/DF

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