Liderança jovem e oratória estratégica pautam a noite inaugural da 1ª Conferência da Jovem Advocacia do DF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Liderança jovem e oratória estratégica pautam a noite inaugural da 1ª Conferência da Jovem Advocacia do DF

A 1ª Conferência da Jovem Advocacia do Distrito Federal abriu seus trabalhos, na noite desta segunda-feira, com duas palestras que uniram tradição e renovação. A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira e o especialista em comunicação e bicampeão brasileiro de oratória Giovanni Begossi conduziram reflexões sobre o papel da juventude na construção do Sistema OAB e sobre a força da comunicação estratégica na advocacia. A programação inaugural reforçou como a nova geração mantém vivo o legado da instituição enquanto desenvolve as competências que irão guiar o futuro da profissão.

Em sua fala, a ministra Daniela Teixeira, do STJ, abordou sua história na advocacia, ela destacou que o fio condutor da OAB sempre foi tecido pela energia das gerações que passam pela OAB Jovem. Segundo Daniela, muitos dos atuais líderes da Ordem começaram justamente nesse ambiente, e essa presença ativa demonstra que a juventude não representa uma promessa distante, mas a força que mantém a instituição pulsante.

Ao afirmar que “vocês não são visitantes da Casa; vocês são a Casa”, a ministra reforçou que a jovem advocacia deve ocupar seu espaço com naturalidade, participação e responsabilidade. E, ao encerrar sua fala citando Fernando Pessoa:“trago dentro de mim todos os sonhos do mundo”, ela convidou os novos profissionais a idealizar e construir desde já os projetos que irão orientar a OAB na próxima década.

O poder transformador da oratória

Na ocasião, Giovanni Begossi, especialista em comunicação e bicampeão brasileiro de oratória, trouxe uma palestra magna sobre como a comunicação molda carreiras, relações e resultados na advocacia. Para contextualizar sua visão, Giovanni retomou sua própria trajetória. Formado em Direito e ex-estagiário com OAB ativa, ele contou que sua entrada no universo da comunicação não teve nada a ver com talento natural. “Eu era tímido, antissocial, não tinha amigos, nunca tinha beijado na boca… até entrar no teatro”, brincou, provocando risos. Esse passo inicial, segundo ele, transformou sua vida “da água para o vinho” e abriu caminho para anos de estudo, prática e aperfeiçoamento, do teatro ao debate competitivo, passando por clubes internacionais de oratória, até consolidar seu método atual: carisma, comunicação e persuasão são competências treináveis.

Durante a exposição, Giovanni apresentou um dado que prendeu imediatamente a atenção dos presentes: “85% de toda a renda que alguém gera na vida vem da capacidade de causar boa impressão e estabelecer confiança. Só 15% vem da técnica”. Ele observou que, na advocacia, o cliente nem sempre distingue um trabalho jurídico nota 10 de um nota 6, mas percebe com clareza o impacto da comunicação.

Em seguida, detalhou seu método dos 3 C’s da comunicação. Sobre o primeiro, Clareza, afirmou: “A primeira tarefa de todo comunicador é ser entendido. Livre-se dos vícios de linguagem. Cada vício é como uma pichação na sua comunicação. Substitua ‘né’, ‘tipo’, ‘mano’ pela pausa. E tome consciência dos seus vícios: escute seus áudios, veja seus vídeos, peça para alguém te avisar.”

Ao explicar o segundo C, Confiança, Giovanni aprofundou a raiz do medo de falar em público: “O nosso cérebro primitivo teme o desconhecido. Ele acha que falar em público é como enfrentar um tigre. Por isso você sua, treme, dá branco. Mas é só porque não está acostumado. O segredo é dessensibilizar o cérebro. E pra isso existe um princípio: nunca negue palco. Nunca. Puxe conversa, faça pergunta em palestra, grave vídeo, leia em voz alta na igreja. Tornou familiar, o medo cai.”

Por fim, apresentou o terceiro C, Convencimento, que considera decisivo no jogo comunicativo. “É plenamente possível você ser claro e ter coragem de falar… e ainda assim a outra pessoa não gostar de você, não contratar seu escritório, não aprovar sua tese. O terceiro C é o jogo. É linguagem corporal, tom de voz, storytelling, argumentação, vendas, networking. É aqui que você aprende a ficar com a razão, não só a tê-la.”

Para encerrar, Giovanni convidou o público à prática. Propôs uma dinâmica no formato de campeonato de oratória, com discursos improvisados de um minuto, no mesmo palco que recebeu autoridades como ministra e dirigentes da OAB. Dois voluntários aceitaram o desafio e demonstraram, ao vivo, o impacto imediato do princípio de “não negar palco”.

Confira as fotos do evento.

Veja aqui a programação completa da Conferência.

Jornalismo OAB/DF

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