Ministra Daniela Teixeira entrega carteira de advogado ao filho e é homenageada em cerimônia na OAB/DF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Ministra Daniela Teixeira entrega carteira de advogado ao filho e é homenageada em cerimônia na OAB/DF

Hoje (11), a ministra do Superior Tribunal de Justiça Daniela Teixeira viveu na Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) uma dessas cenas raras em que o protocolo não consegue competir com a vida: cercada de amigos, dentre eles os presidentes da OAB Nacional, Beto Simonetti, e da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, entregou a carteira de advogado ao filho, Gabriel Rodrigues Teixeira de Moraes Rego, que foi o orador de sua turma.

A cerimônia de compromisso profissional reuniu 50 novos advogados e advogadas, amigos e familiares, lotando o auditório Sepúlveda Pertence, na sede da Seccional do Distrito Federal.

O ato, que teve a presidência da mesa exercida conjuntamente por Simonetti e Poli, foi prestigiado pela direção nacional da Ordem. Dentre os dirigentes, estava o diretor-tesoureiro Délio Lins e Silva Jr., que por seis anos presidiu a OAB/DF (2019-2024). Daniela Borges, presidente da OAB-BA e coordenadora do Colégio de Presidentes, também veio à cerimônia. Dentre os dirigentes do Sistema OAB/DF, a presidente da Caixa de Assistência da Advocacia do DF, Lenda Tariana, fez uso da palavra.

Ministra do STJ, Daniela Teixeira
Gabriel recebe da mãe a sua carteira de advogado

Emocionada, Daniela Teixeira, empossada ministra no STJ em novembro de 2023, pela vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia, falou da volta à casa e de sua origem na Ordem. Lembrou a trajetória na OAB/DF e no Conselho Federal e recordou o lugar exato onde, segundo ela, recebeu a própria carteira. Brincou com uma definição que, na verdade, é uma confissão de pertencimento: seu tipo sanguíneo seria “OAB positivo, sempre”. Mas, naquele momento, Daniela disse que ali estava, antes de tudo, como mãe.

Poli recebe na presidência da OAB/DF: Délio Lins e Silva Jr.; Beto Simonetti; e Daniela Teixeira
E/D: Poli e o orador da turma, Gabriel Rodrigues Teixeira de Moraes Rego

As falas centrais dessa cerimônia — do orador da turma, Gabriel Rodrigues Teixeira de Moraes Rego, do paraninfo, Jorge Octávio Lavocat Galvão, do presidente nacional, Simonetti, e de Poli, presidente da OAB/DF — “conversaram” entre si. Em síntese, trouxeram a reflexão de que o direito só se realiza quando deixa a abstração e vira responsabilidade.

O orador da turma, Gabriel Teixeira Rodrigues Moraes Rego, dividiu sua fala em três partes: a primeira, foi sobre o que os compromissandos passaram e “coragem”. Ele lembrou a célebre frase de Sobral Pinto: “a advocacia não é profissão para covardes”; a segunda, ele discorreu sobre” o que virá e técnica”; por fim, contou uma história para destacar que advogados não podem ser “ingênuos”. O orador observou que ninguém chega à advocacia sozinho e pediu aplausos às famílias.

No enfoque do orador, em sua primeira consideração, a coragem se dá no cotidiano, e passa pela energia que atravessa cinco anos de curso e segue necessária para os anos que virão.

Na segunda parte, Gabriel deu ao entusiasmo uma medida profissional. Coragem, disse, não basta: sem técnica, o advogado vira “brigão”. O ofício exige, portanto, preparo, estratégia e método. Também exige ser firme, quando a justiça falha fora das paredes do tribunal, no dia a dia em que a vida pede proteção.

A terceira parte de seu discurso resgatou uma história que traz, ao final, uma advertência: Thomas More, o jurista que imaginou uma utopia sem advogados e terminou esmagado por um julgamento injusto, sem ter quem o defendesse. Da narrativa, Gabriel tirou a sua tese para a turma: “o advogado deve ser corajoso e técnico, mas não pode ser ingênuo”. Não pode confiar que a “racionalidade das leis”, por si só, conterá a injustiça. Para ele, isso é erro e a realidade cobra caro. O pacto que propôs aos novos colegas inclui serem “corajosos”, “técnicos” e atentos.

Palavras do paraninfo

A fala do paraninfo, o procurador do DF Jorge Octávio Lavocat Galvão, veio como complemento e aprofundamento: se o orador falara da coragem e da técnica como requisitos, o paraninfo explicou que, na prática, essa combinação será testada. Ele lembrou que estava ali 20 anos após receber a própria carteira e descreveu o Direito como um campo de dualidades: “norma e fato”, “lícito e ilícito”, “abstração e vida”. Recorrendo a Bobbio, insistiu que o problema dos direitos não é justificá-los, mas protegê-los. E situou a advocacia justamente nesse intervalo: entre a lei e o mundo real.

Ele descreveu o cotidiano da profissão: “no escritório”, “na ligação fora do horário”, “no e-mail enviado de madrugada”. Explicou que, no instante em que alguém se senta diante do advogado, entrega, junto com documentos, medo, expectativa e esperança. Advogar, disse, exige escuta, paciência, empatia e honestidade. Ao encerrar, citou o jurista italiano Piero Calamandrei: “a liberdade é como o ar, só percebemos seu valor quando começa a nos faltar”.

E/D: Poli, Jorge Octávio Lavocat, Simonetti, Daniela Teixeira e Délio Lins e Silva Jr.

Presidente da OAB

Quando Beto Simonetti retomou a palavra, costurou as duas falas a uma homenagem e também a um argumento institucional. Dirigiu-se à ministra Daniela Teixeira como personagem da história da advocacia; alguém que chegou ao STJ por uma trajetória construída com coragem e defesa firme das prerrogativas. Chamou atenção para o peso simbólico de ter, no tribunal, alguém que sabe o que é sustentar da tribuna, esperar em antessala e carregar, em silêncio, a responsabilidade profissional.

Sobre o orador, afirmou: “o bom fruto nunca cai longe da árvore” e entregou a Gabriel, em um gesto simbólico, o pin de presidente nacional, homenageando a turma e a geração que entra agora para a profissão recebendo, junto com a carteira, o dever de dar continuidade à luta descrita no palco e acumulada nas décadas anteriores. Também pediu que os compromissandos se levantassem e homenageassem pais e familiares, com palmas. “Alguém já disse que a gratidão é a poesia do caráter”, declarou.

Ao final, Simonetti reuniu numa mesma linha as ideias que atravessaram a manhã: coragem, técnica e responsabilidade com a liberdade. Disse que a carteira não é só identidade profissional: “é missão”, porque “cada processo traz uma história real de medo, de esperança e de luta por dignidade”. E fechou com a síntese que ecoou o espírito da cerimônia: enquanto houver um advogado disposto a se levantar, nenhuma injustiça será definitiva.

E/D: Poli, Simonetti, Gabriel e Daniela Teixeira

Simonetti prestou homenagem especial a Daniela Teixeira: “Hoje a justiça brasileira é melhor! É melhor porque há no STJ uma ministra que sabe o que é sustentar da tribuna; sabe o que é esperar na antessala; e sentir a angústia do cliente e carregar no silêncio o peso da responsabilidade profissional. E há algo ainda mais bonito neste dia. Hoje, o Gabriel recebe a sua carteira. O filho da advogada que nunca desistiu da advocacia. O filho da mulher que transformou luta em legado.”

Poli também homenageou a ministra, dizendo que “traz muito orgulho saber que a advocacia brasileira está muito bem representada no Superior Tribunal de Justiça”, pois a ministra “sabe as dores de cada cliente que cada um de vocês (os compromissandos) vai atender”. Assim, dividiu sua palavra final com Daniela Teixeira.

Daniela Borges, presidente da OAB/BA e coordenadora do Colégio de Presidentes, saudou a direção nacional e a Seccional do DF e fez sua homenagem à ministra Daniela Teixeira, a quem classificou como inspiração para sua trajetória e para as mulheres na advocacia. Ao mencionar a paridade no Sistema OAB, ressaltou que esse avanço não se consolidaria sem a participação ativa de lideranças como Daniela, apontada por ela como referência institucional e pessoal.

Em seguida, convidou os novos advogados para a Conferência Nacional da Advocacia, que ocorrerá de 23 a 25 de novembro, em Salvador, organizada pelo Conselho Federal. Disse que a programação foi pensada para os desafios contemporâneos da profissão, especialmente com a tecnologia atravessando o exercício da advocacia, e encerrou com uma mensagem aos compromissandos sobre vocação, propósito e perseverança ao longo do caminho profissional.

Mais uma homenagem especial foi prestada pela presidente da CAADF, Lenda Tariana. Ela destacou Daniela Teixeira como precursora e referência para as conquistas femininas na advocacia. Disse que se orgulha de ser a primeira mulher a presidir a Caixa de Assistência em mais de 60 anos, mas que essa vitória só é possível porque outras mulheres “abriram caminhos”. Ao lembrar que recebeu a própria carteira no auditório, em 2015, “das mãos” de Daniela, afirmou que a ministra “fez e faz parte dessa conquista tão importante para toda a advocacia”.

Lenda citou também o episódio que deu origem à Lei Júlia Matos  (Lei nº 13.363/16): grávida, com dores, após esperar por horas para sustentar oralmente, a então advogada Daniela Teixeira pediu preferência em uma audiência no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e teve o pedido negado, ouviu que não era “melhor nem pior do que ninguém”, sustentou e saiu direto para o hospital, onde deu à luz. Lenda explicou que foi dessa experiência, do desrespeito vivido pela advogada, que veio a luta que resultou na norma que garante preferência na sustentação oral em casos de gravidez, “a favor de todas as mulheres”.

A cerimônia na íntegra pode ser assistida no canal da OAB/DF no YouTube

Mesa de honra desta cerimônia foi composta por:
Beto Simonetti — presidente nacional da OAB
Paulo Maurício Siqueira (Poli) — presidente da OAB/DF
Daniela Teixeira — ministra do STJ; ex-vice-presidente da OAB/DF; ex-conselheira federal da OAB/DF; ex-secretária-geral da OAB/DF
Felipe Sarmento — vice-presidente do Conselho Federal da OAB
Jorge Octávio Lavocat Galvão — procurador do Distrito Federal; paraninfo da turma
Rose Moraes — secretária-geral do Conselho Federal da OAB
Délio Lins e Silva Jr. — diretor-tesoureiro do Conselho Federal da OAB; membro honorário vitalício da OAB/DF
Rafael Martins — secretário-geral da OAB/DF
Nylda Badu — diretora de tecnologia da OAB/DF
Newton Rubens — diretor de prerrogativas da OAB/DF
Daniela Borges — presidente da OAB/BA; coordenadora do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB
Lenda Tariana — presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAA/DF)
Ricardo Barbosa — diretor-geral da Escola Superior de Advocacia do DF (ESA/DF)
Bruna Moura — conselheira seccional da OAB/DF
Liliana Marques — conselheira da OAB/DF; presidente da Comissão de Sucessões, Inventário e Gestão Patrimonial da OAB/DF; secretária-adjunta da Comissão de Família do Conselho Federal da OAB
Maria Cristina Barreiros de Oliveira — conselheira seccional da OAB/DF
Pedro Tonaco — conselheiro seccional da OAB/DF
Fabrina Gandra — presidente da Subseção do Gama (OAB/DF)
Ana Carla Paz Ribeiro — presidente da Subseção de Ceilândia (OAB/DF)
Bruno Lopes dos Santos — vice-presidente da Subseção do Gama (OAB/DF)
João Gabriel Ribeiro — juiz; instrutor do gabinete da ministra Daniela Teixeira (STJ)
Leonardo Carvalho — representante do Terceiro Setor da OAB/DF
Wilmondes Viana — presidente da Comissão de Celeridade Processual da OAB/DF
Larissa Lopes Batista Souza — conselheira jovem da OAB/DF; copresidente da Comissão da Advocacia Jovem Iniciante da Subseção do Núcleo Bandeirante (OAB/DF)
Samira Aline Lima Souza — secretária-geral adjunta da Comissão da Advocacia Jovem Iniciante da OAB/DF
Alisson Pereira — conselheiro da Subseção de Ceilândia (OAB/DF)
Mike L. Rosa — coordenador de Integração da Jovem Advocacia do DF; conselheiro jovem da OAB/DF
Júlio Ferreira Silva — presidente da Comissão da Advocacia Jovem Iniciante da Subseção do Gama (OAB/DF)
Tatiane Vicente Farias — membro da Comissão de Enfrentamento da Violência Doméstica da Subseção do Gama (OAB/DF)
Cristina Tubino — ex-presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF
Cíntia Cecílio — ex-presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/DF

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Fotos: Roberto Rodrigues e Alex Bandeira

Jornalismo OAB/DF

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