Pesquisa de base e mobilização orgânica dão origem à IV Conferência da Mulher Advogada - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Pesquisa de base e mobilização orgânica dão origem à IV Conferência da Mulher Advogada

Em discurso de encerramento da abertura, a organizadora do evento e presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar, revela que programação foi estruturada a partir de consulta de 16 meses com profissionais do DF e defende presença real em cargos diretivo

A IV Conferência Distrital da Mulher Advogada, realizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro, consolidou-se como um marco de mobilização coletiva e planejamento institucional. No encerramento da sessão de abertura, a conselheira seccional e presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar, revelou que a concepção do evento partiu de um diagnóstico minucioso e descentralizado, construído de forma orgânica de dentro para fora das Subseções do Distrito Federal.

A manifestação de Sthefany Vilar também jogou luz sobre a disparidade entre a maioria feminina nos registros profissionais e a sub-representação histórica nos postos de comando da advocacia privada e institucional.

A origem: um diagnóstico de 16 meses nas Subseções

Ao contrário de eventos estruturados de forma vertical, a conferência deste ano foi desenhada a partir de dados concretos coletados diretamente com as profissionais que atuam no dia a dia da advocacia do Distrito Federal.

“Surgiu através das presidentes das Comissões das Mulheres Advogadas, e das nossas Subseções. No início de 2025, decidimos circular um formulário para entender quais eram as dores da advocacia feminina e passamos um ano e quatro meses com esse documento em todas as Subseções e na Seccional. Assim, nada surgiu por acaso. Foi um movimento que veio de forma totalmente orgânica. Ele veio das Subseções para a Seccional. Não veio de cima para baixo”, disse Sthefany Vilar.

Segundo a organizadora, a decisão de estender o evento por dois dias e diversificar as oficinas e eixos temáticos foi uma resposta direta às demandas apontadas no formulário pelas advogadas.

A disparidade entre a base e os espaços de decisão

Presidente da Comissão da Mulher Advogada OAB/DF fez convite à ministra Cármen Lúcia pessoalmente para a participação na Conferência

Sthefany Vilar trouxe dados demográficos para questionar as barreiras invisíveis que impedem a ascensão das mulheres a posições de liderança e comando de grandes estruturas jurídicas.

“Nós somos mais de 27 mil advogadas, 53% da população! Somos maioria nas universidades, nas inscrições da Ordem, em preparo, em dedicação, em presença profissional! Mas eu pergunto: se somos maioria na base da advocacia, por que não somos ainda maioria nos espaços de decisão?, inquietou Sthefany Vilar.

A conselheira relatou a dificuldade de mapear grandes escritórios locais liderados por mulheres durante a fase de planejamento do evento, apontando a necessidade de transpor a igualdade formal — garantida pela paridade de gênero no sistema OAB há sete anos — para o exercício do poder real.

A quebra do mito da insuficiência

Aproximadamente 500 pessoas lotaram o Teatro Nacional Cláudio Santoro, para a abertura da IV Conferência Distrital da Mulher Advogada, evento com palestra magna da ministra Cármen Lúcia

Finalizando sua potente fala e encerrando a abertura, Sthefany Vilar afirmou: “Talvez uma das maiores violências silenciosas que muitas mulheres enfrentam dentro da advocacia seja a sensação constante de insuficiência. A sensação de que precisa provar mais, entregar mais, produzir mais, ser impecável o tempo inteiro. Como se a competência feminina ainda precisasse ser constantemente validada. […] Você não precisa se masculinizar para ser respeitada. Você não precisa se endurecer para ser forte. Você não precisa diminuir a sua sensibilidade para ocupar espaço de liderança, porque força e humanidade, elas não se anulam.”

Ao encerrar o painel, a organizadora convocou a plateia a se levantar e dar as mãos, recitando versos da escritora e ativista norte-americana Maya Angelou para simbolizar a força da advocacia feminina quando atua de forma coletiva.

“Apesar de todas as dificuldades, dos silenciamentos e das estruturas que ainda tentam limitar as mulheres, como diz Maya Angelou: ‘ainda assim eu me levanto'. E hoje nós nos levantamos juntas, porque quando uma mulher avança sozinha, ela vence, mas quando mulheres avançam juntas, elas transformam estruturas”, concluiu Sthefany Vilar.

Leia também:

E veja como foi o encerramento da IV Conferência, acessando aqui

Fotos: Roberto Rodrigues e Alex Bandeira

Jornalismo OAB/DF

Deixe um comentário