Vozes Autorais: podcast debate desafios e futuro da dublagem frente à inteligência artificial; confira - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Vozes Autorais: podcast debate desafios e futuro da dublagem frente à inteligência artificial; confira

A Comissão de Direitos Autorais da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) promoveu o segundo episódio da segunda temporada do podcast Vozes Autorais. O encontro reuniu especialistas e profissionais da dublagem para discutir os impactos da tecnologia, em especial da inteligência artificial (IA), sobre a profissão, além de refletir sobre saúde mental, identidade vocal, mercado de trabalho e representatividade.

Mediado pelo advogado e presidente da Comissão, Lucas Sérvio, e pela psicóloga e professora Tatielle Oliveira, o episódio contou com as participações dos dubladores Carina Eiras, Kadu Rocha, Sabrina L’astorina e Filipe Gimenez.

A voz como identidade e resistência

Durante a conversa, os convidados destacaram que a voz vai além de um instrumento técnico: ela representa a identidade e a subjetividade do dublador. Nesse sentido, a ameaça de substituição por tecnologias de IA é percebida como um risco não apenas profissional, mas também pessoal, capaz de gerar ansiedade, frustração e queda da autoestima.

A psicóloga Tatielle Oliveira explicou que a precarização da profissão e a insegurança diante da automação podem desencadear quadros de estresse e depressão, reforçando a necessidade de suporte emocional e institucional aos artistas.

IA: ferramenta ou ameaça?

Embora reconheçam a utilidade de ferramentas tecnológicas em determinadas situações, os participantes foram unânimes em afirmar que a inteligência artificial não é capaz de substituir o trabalho humano. A ausência de empatia, subjetividade e nuances artísticas faz com que a IA não consiga reproduzir o vínculo emocional que a voz do dublador estabelece com o público.

Mercado em transformação

Outro ponto de destaque foi a instabilidade do mercado, agravada pela ascensão das plataformas de streaming, que transformaram o modelo tradicional de produção e impuseram novos prazos e demandas. Os profissionais apontaram que essa realidade exige adaptação, mas também levanta a necessidade de regulamentação e proteção legal, para evitar a precarização e garantir condições dignas de trabalho.

Diversidade, saúde vocal e valorização da arte

O episódio ainda abordou questões como representatividade racial e de gênero na dublagem, destacando a importância da diversidade para refletir a sociedade e enriquecer a produção artística. Além disso, reforçou-se a necessidade de cursos, acompanhamento fonoaudiológico e cuidados com a saúde vocal, essenciais para preservar a carreira e ampliar oportunidades.

A discussão também abordou sobre a representatividade racial, de gênero e sexual na dublagem. A valorização de vozes e personagens negros, trans e LGBT+ é importante para refletir a diversidade social e combater estereótipos, promovendo inclusão e reconhecimento. No entanto, persistem dificuldades como o tipo de escalação e preconceitos que limitam oportunidades.

Assista ao episódio completo.

Jornalismo OAB/DF

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