"Coragem, ética e compromisso com a Justiça" permeiam discursos em mais uma emocionante entrega de carteiras da OAB/DF - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

“Coragem, ética e compromisso com a Justiça” permeiam discursos em mais uma emocionante entrega de carteiras da OAB/DF

Início da cerimônia no auditório da OAB/DF

Na manhã desta quinta-feira (18), mais 52 compromissandos receberam suas carteiras de advogados e de advogadas. A solenidade no auditório da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) teve discursos marcantes, que trataram das responsabilidades inerentes à advocacia.

Este evento, que marca a transição da vida acadêmica para a prática profissional, foi conduzido pelo presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, que saudou a todos, com alegria e entusiamo pela renovação dos quadros da Casa.

Tanto o orador da Turma, João Pedro de Araujo Costa Fonseca, quanto a paraninfa, a conselheira seccional Renata Luiza Viñualis de Moraes, proferiram mensagens inspiradoras que ressaltaram o compromisso ético e social da profissão, delineando os pilares que devem guiar os recém-chegados.

Compromissandos prestando juramento
A voz da Turma destacou a conquista de um projeto de vida e a essência da advocacia

Com emoção e inspiração, o orador da Turma, João Pedro de Araujo Costa Fonseca, resumiu a jornada e os ideais que guiam os novos advogados. Após cumprimentar a mesa diretora e os colegas, refletiu sobre a conquista por meio das palavras de Aristóteles, conectando a árdua trajetória de estudos e exames à doce recompensa da realização profissional:

“Aristóteles, com sua sabedoria atemporal, refletiu que ‘a educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces'. Nesta manhã, celebramos uma jornada de esforço e dedicação, e é com alegria que receberemos os resultados de nossa caminhada. Saboreiem, portanto, o dulçor dos frutos colhidos!”

Ele enfatizou que a advocacia é mais que um título; é a concretização de um projeto de vida, forjado em desafios, coragem e dedicação incessante. É uma vocação que exige constante aprimoramento e resiliência. Ressaltou a exigência de firmeza e independência na profissão, ecoando a máxima de Heráclito Sobral Pinto, um ícone da advocacia brasileira, cuja vida foi um testemunho de defesa intransigente da liberdade e dos direitos humanos.

“Como ensinava Heráclito Sobral Pinto: ‘A advocacia não é profissão de covardes'.”

O orador também destacou o caráter público e essencial da advocacia, citando o artigo 133 da Constituição Federal, que estabelece o advogado como “indispensável à administração da justiça”.

Esta indispensabilidade não é meramente formal, mas substancial, garantindo o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, pilares do Estado Democrático de Direito.

João Pedro Fonseca sublinhou o papel do advogado como “voz de quem não tem voz”, transformando a técnica jurídica em instrumento de justiça social. Isso se manifesta na defesa de direitos de minorias, na luta contra injustiças sociais, na proteção de consumidores, na garantia de acesso à saúde e educação, e em tantas outras áreas onde a cidadania precisa ser afirmada. A gratidão foi estendida a familiares, amigos e professores, pilares fundamentais nesta jornada, cujo apoio foi crucial para superar os obstáculos.

Concluindo, o orador projetou o futuro, vislumbrando a OAB/DF como um lar profissional e um porto seguro para os desafios que virão:

“Nesta nova jornada, teremos a OAB do Distrito Federal como nossa voz e nosso lar profissional. É onde teremos o apoio necessário para trilhar o caminho desafiador da advocacia, seja na defesa de nossas prerrogativas, na busca por aprimoramento contínuo ou na construção de uma rede de apoio e colaboração. A partir de hoje, ela será a casa que nos apoia, nos protege e nos prepara para transformar, com ética e justiça, a vida das pessoas que vamos servir.”

O discurso finalizou com um convite à atuação digna e um compromisso inabalável com a justiça, celebrando a materialização dos sonhos de cada novo advogado ou advogada e a responsabilidade que agora carregam. O orador lembrou nas suas últimas palavras o jurista Sepúlveda Pertence que disse: “Sou otimista inveterado e, por isso, já não tendo muito a dar depois de uma vida sempre disposta à luta, resta confiar nas novas gerações”.

João Pedro de Araujo Costa Fonseca recebe seu certificado das mãos do presidente Poli e integrantes da mesa de honra da cerimônia
A mensagem da paraninfa destacou a advocacia como agente de transformação social e humanidade

A paraninfa da turma, conselheira seccional Renata Luiza Viñualis de Moraes, complementou as reflexões com uma visão profunda da advocacia como um campo de coragem e humanidade. Em seu discurso inspirador, destacou que a entrega da carteira profissional transcende a mera formalidade, representando um pacto solene com a sociedade:

“Receber a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil não é apenas uma formalidade, é assumir um compromisso profundo com a justiça, com a sociedade. E, acima de tudo, com a dignidade humana.”

A paraninfa enfatizou que o advogado é um “agente de transformação social”, cujo papel vai muito além da atuação processual em tribunais. Essa transformação se dá ao questionar normas injustas, ao propor soluções inovadoras para conflitos complexos, ao defender direitos fundamentais em causas de impacto coletivo e ao promover a educação jurídica para a cidadania.

A advocacia, segundo ela, exige coragem para “enfrentar poderes estabelecidos, para dar voz aos que não têm, para defender causas impopulares ou pouco compreendidas”.

Renata Moraes convidou os novos profissionais a transcenderem a frieza da letra da lei, buscando uma interpretação mais humana e comprometida com a vida e com a realidade social dos indivíduos:

“Não basta conhecer a letra. É preciso compreender o espírito e colocar o ser humano no centro de toda a prática jurídica, sob pena de um direito se perder na incerteza e afastar-se da sua verdadeira missão.”

Essa abordagem implica empatia, capacidade de ouvir e compreender as narrativas dos clientes, e em aplicar o direito de forma contextualizada, buscando sempre a solução mais justa e equitativa, explicou Renata Moraes.

A paraninfa ressaltou a advocacia como uma “trincheira ética”, um espaço onde a integridade, a lealdade e a probidade são inegociáveis. Nela, o diálogo e a cooperação devem prevalecer sobre o confronto meramente adversarial. Para ela, a verdadeira vitória não se mede pela força da imposição, mas pela sabedoria de construir soluções harmônicas e duradouras, que beneficiem todas as partes envolvidas e promovam a pacificação social:

“A verdadeira vitória não é a da oposição, mas a da cooperação para soluções harmónicas e duradouras.”

Concluindo sua mensagem, a paraninfa preparou os novos colegas para os desafios inevitáveis da profissão, lembrando que a essência e a competência serão o combustível para seguir adiante, superando as adversidades e mantendo o foco nos valores fundamentais. Ela encerrou citando o jurista uruguaio Eduardo Juan Couture, com uma lição atemporal que serve como um guia moral para qualquer advogado ou advogada:

“Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, lute pela Justiça.”

Momento de homenagem à paraninfa
Mesa oficial da cerimônia aplaude a conquista dos novos profissionais

Ao final da cerimônia, o presidente Poli reforçou que “vale a pena ser correto, ser ético”, e ressaltou aos presentes: “vocês estão preparados para isso”. Segundo ele, o Exame de Ordem precisa ser exatamente como é, rígido, porque “só os melhores podem falar pelas pessoas e é o que vocês vão fazer a partir de agora”. Poli afirmou também: “quando o João diz que nós somos a voz da sociedade, da população e da cidadania, é a mais absoluta verdade, e isso nos traz uma responsabilidade enorme.”

Fotos: Alex Bandeira

Assista esta cerimônia na íntegra aqui

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Jornalismo OAB/DF

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