Dia da Mulher Advogada do DF: lideranças femininas destacam resistência, ocupação de espaços e urgência por igualdade - OAB DF

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal

Dia da Mulher Advogada do DF: lideranças femininas destacam resistência, ocupação de espaços e urgência por igualdade

Na Sessão Solene do Dia da Mulher Advogada do Distrito Federal, realizada na CLDF na manhã desta sexta-feira (12), o protagonismo feminino se fez presente no palco e na plateia, ambos majoritariamente formados por mulheres. Elas entoaram em coro o Hino Nacional, no início da cerimônia, acompanhando a interpretação a capela da advogada e cantora dra. Nádia Santolli. Foi um momento ímpar e de grande emoção, como mais tarde registraria o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, nas homenagens prestadas às advogadas (confira também os anúncios do presidente nesta cerimônia; leia mais aqui).

A copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, falou sobre a caminhada das mulheres em prol de suas causas e reconheceu a importância do apoio de homens que atuam lado a lado na construção de um espaço de igualdade real.

“Precisamos reafirmar todos os dias, em todos os momentos, a nossa fortaleza, nossa resiliência e nossa insistência em batalhar pelos nossos espaços”, ressaltou, ao dirigir-se às mulheres, agradecendo a iniciativa da deputada Jaqueline Silva pelo Dia da Mulher Advogada do DF, que valoriza o esforço coletivo.

Roberta também homenageou o papel das mulheres que abriram caminhos, as pioneiras numa jornada por uma sociedade mais justa e igualitária: “Quero agradecer às mulheres que já estiveram nesse caminho e que hoje abrem os espaços para que a gente possa passar.” E lembrou que a celebração exige reflexão: “Não é apenas uma homenagem, mas um convite a refletir sobre o que vivemos e o que ainda precisamos construir.”

A copresidente da OAB-DF ressaltou, por fim, a necessidade de mais empenho no combate à violência contra a mulher. “Temos que trabalhar ainda mais para coibir e acabar a violência contra a mulher. Devemos refletir sobre nosso papel e a construção nos locais onde atuamos. Precisamos continuar lutando unidas em nosso propósito”, convocou. 

“Quando uma advogada ergue a voz, a justiça se torna mais justa”

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar, representou todas as advogadas da OAB/DF e da OAB Nacional. Sua fala lembrou que a luta das mulheres na advocacia é diária e historicamente desigual. “Nós somos cobradas incansavelmente. A nossa régua é mais alta, o nosso esforço é dobrado e a nossa margem de erro é menor. E, ainda assim, nós seguimos”, afirmou, destacando que a presença feminina “transforma ambientes, movimenta estruturas e abre caminhos para outras que virão depois”.

Sthefany ressaltou que a cultura jurídica ainda tenta impor modelos de comportamento às mulheres — frágeis, silenciosas, perfeitas —, mas que a nova geração rompeu esse roteiro. “Nós não nascemos para atuar em papéis escritos por outros. Nascemos para escrever os nossos próprios”, disse.

Ao celebrar a aprovação recente e sanção da lei voltada à proteção da mulher advogada, reforçou a dimensão coletiva da conquista: “Eu não caminho sozinha. Eu caminho em bando.” Concluiu com a frase que sintetizou sua participação: “Quando uma advogada ergue a voz, a justiça se torna mais justa. Quando uma advogada ocupa um espaço, a democracia se fortalece.”

Jornadas invisíveis e o impacto da violência

A presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, falou das jornadas múltiplas e da persistência das mulheres no exercício da profissão. “Só a gente sabe o que é preparar o almoço correndo e fazer audiência. Só a gente sabe o que é deixar o filho com febre com a sogra para atender um cliente”, afirmou.

Lenda destacou que o Dia da Mulher Advogada não trata apenas de homenagem, mas de reconhecimento: “Vocês hoje estão aqui para ter o reconhecimento da história de vocês. ”Ela fez ainda um alerta contundente: o maior auxílio concedido pela CAADF em 2025 foi destinado a mulheres advogadas vítimas de violência doméstica. “Estamos na capital do país. O ano é 2025. E ainda continuamos sofrendo violências de quem disse que um dia nos amava”, lamentou.

Representação efetiva

A diretora da Mulher da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, trouxe ao debate a dimensão política e institucional da desigualdade. “Não estamos só comemorando. Estamos suscitando todas as dificuldades que nós temos; e esse é o marco da nossa história”, pontuou. Ela relembrou a lei criada em 2023 que instituiu o Dia da Mulher Advogada do DF e destacou o papel dos símbolos na construção da memória coletiva.

Nildete defendeu a adoção de cotas para mulheres na política e a criação de leis específicas para o enfrentamento da violência de gênero: “Nós precisamos de garantias de cadeiras. Porque uma mulher só não consegue nos representar.”

Ao citar dados de feminicídio e desigualdade salarial, reforçou: “Nós somos maioria da população, da advocacia e do eleitorado. Isso nos legitima a ocupar os espaços que ainda nos negam.”

“Competência, técnica, resistência e resiliência”

A presidente do Colégio de Presidentes das Subseções, Patrícia Landers, celebrou o Dia da Mulher Advogada destacando as múltiplas dimensões que compõem a trajetória das profissionais. “A mulher advogada é feita de competência, de técnica, de resistência e de resiliência, mas também de acolhimento, carinho e aconchego”, afirmou, lembrando que muitas são mães, chefes de família e profissionais que sustentam múltiplas jornadas.

Em discurso marcado pela valorização da coletividade, Patrícia defendeu que a advocacia feminina siga unida: “Que possamos continuar juntas, uma segurando no braço da outra, lutando pelos nossos direitos.” Ela celebrou a aprovação recente da lei voltada à proteção das mulheres e reforçou que a conquista é fruto de luta contínua: “Estamos aqui hoje por nós, mas também por aquelas que vieram antes, abrindo portas — e que nós abramos caminhos para tantas outras que virão.”

Vozes que acolhem e protegem

A ouvidora da Mulher Advogada da OAB/DF, Mayra Leão, iniciou sua fala cumprimentando a mesa e reconhecendo a parceria da deputada Jaqueline Silva com a advocacia e com a sociedade. “Fico muito feliz, deputada, por estar aqui e ver a sua emoção, porque sei o quanto o seu trabalho, o seu esforço e a sua dedicação têm sido grandes para todos nós”, afirmou.

Mayra explicou que a Ouvidoria da Mulher Advogada tem um significado especial por ter sido criada na gestão passada — e fortalecida pela atual diretoria — como espaço institucional de acolhimento para advogadas, colaboradoras e estagiárias vítimas de assédio moral ou sexual. “Quando a mulher sofre violência, ela não quer ser ouvida por alguém que não compreenda ou que não sinta a sua dor”, destacou.

Reconduzida ao cargo, afirmou que a Ouvidoria amplia agora sua atuação para a sociedade civil, refletindo o compromisso institucional da OAB/DF. Ao celebrar a aprovação da legislação que obriga delegacias a comunicar à Ordem quando um advogado comete violência doméstica ou uma advogada é viítima, reforçou a dimensão histórica da medida: “Isso é muito importante, e eu sei que a Ouvidoria terá muito trabalho — mas trabalho nunca foi problema para as mulheres.”

Marcos históricos e luta contínua

Primeira mulher a presidir a OAB/DF, Estefânia Viveiros trouxe o caminho trilhado por gerações de advogadas. “Agradeço a todas as mulheres advogadas que lutaram e ergueram a bandeira do respeito, da cordialidade, do companheirismo e da sororidade. Tive a honra indescritível de ser a primeira mulher a presidir a OAB-DF. Na época eu tinha 31 anos de idade. Mas já se passaram 65 anos de história da OAB-DF e até hoje somente uma mulher presidiu a instituição”, observou. 

Ela resgatou exemplos de mulheres do Rio Grande do Norte, seu estado, e citou a ministra Maria Elisabeth Rocha, primeira mulher a presidir o STM, como símbolo de superação das mulheres.

“A sociedade ganha quando mulheres ocupam lugares estratégicos”

A presidente do Instituto dos Advogados do Distrito Federal (IADF), Jaqueline Alba Di Domenico Moreira, destacou a importância de ambientes plurais e da complementaridade entre as habilidades de homens e mulheres. “A sociedade ganha quando as mulheres ocupam lugares estratégicos. Não é questão de número, mas de qualidade das decisões”, afirmou.

Ela citou o autor e jornalista Daniel Goleman, ao reforçar o valor da empatia, da comunicação e da percepção sutil — competências que muitas mulheres exercem com naturalidade. “Quando uma mulher ocupa um espaço de poder, todas avançam um passo adiante”, concluiu.

O papel transformador das advogadas na justiça

A chefe do Núcleo de Promoção e Defesa das Mulheres da Defensoria Pública do Distrito Federal, doutora Rafaela Mitre, trouxe à tribuna a perspectiva institucional de quem atua diretamente com populações vulneráveis. “É muito importante reconhecer mulheres que ocupam espaços de decisão e que transformam esses espaços em ampliação de direitos”, afirmou.

Ela destacou um dado alarmante: estudo da Universidade Federal de Alagoas aponta que 80% das advogadas entrevistadas já sofreram algum tipo de violência no curso de processos judiciais. “É o momento de revisar práticas e protocolos que perpetuam desigualdades e violências”, disse.

Ao final, homenageou Esperança Garcia, referida como a primeira advogada do Brasil:
“Uma mulher negra que utilizou o direito como ferramenta de denúncia e reivindicação de dignidade, não só para ela, mas em favor de toda a população escravizada.”
Ela também homenageou as colegas da Defensoria e concluiu: “Não há democracia plena sem mulheres nos espaços de decisão. Quando uma mulher ocupa o direito, ela transforma o direito e amplia o acesso à justiça.”

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Assista esta cerimônia na íntegra aqui

Jornalismo OAB/DF, com informações da Agência CLDF

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