“Saúde emocional na maternidade atípica” também foi tema de destaque no evento realizado pela Comissão de Direito da Pessoa com Autismo da OAB/DF Subseção de Águas Claras. O encontro, que aconteceu na última segunda-feira (16) em celebração ao Dia do Orgulho Autista (18 de junho), contou com a condução de Bruna Paim, presidente da Comissão Advocacia Multiportas da Subseção.

“Esse é um tema muito importante e que deveria ser falado mais vezes. As mães passam por um processo de transformação lindo, mas que precisa ser olhado e acolhido. Precisamos cuidar de quem cuida. Por isso, temos de pensar na questão da saúde mental da maternidade atípica.
Uma das questões trazidas por Bruna Paim é o momento em que a mãe recebe o diagnóstico da criança. “Ela, muitas vezes, não tem tempo para processar as informações e vai se dedicando ao máximo, sem perceber que autocuidado não é egoísmo. O autoamor é necessário! Chorar faz bem! Quando a pessoa se sente fraca, é preciso que tenha coragem de dizer ‘eu preciso ser cuidada, eu preciso de colo’. A mãe oferece colo, mas ela precisa de colo também”, esclarece a presidente da Comissão Advocacia Multiportas.
Bruna Paim, além de falar a respeito desses cuidados, propôs uma meditação de 3 minutos aos presentes na palestra. Momento para refletir sobre a força e a coragem de cada uma que cuida da pessoa autista. “Essa meditação já é um sinal de autoamor e autocuidado; a recomendação que faço é para que cuidem de si ao menos 15 minutos do dia a partir de hoje, deste encontro de acolhimento e reflexões sobre as transformações na maternidade”, finalizou.
Mais orientações às mães atípicas:
Olhe para si: explore e entenda suas próprias emoções. Desabafe.
Conexão é força: busque apoio em outras mães e profissionais. Diminua a sensação de isolamento.
Gentileza consigo: lembre-se de que a perfeição não existe e seja gentil com você mesma.
Estrutura que acalma: crie uma rotina diária previsível. Trará segurança para você e seu filho.
Celebre as vitórias, grandes e pequenas: reconheça e valorize cada avanço.
Mensagem final da palestrante:
Deixo, com muita gratidão, um texto de minha autoria com muito amor a todas as mães.
Para você, mãe atípica…”
Nenhuma mãe está pronta. A gente aprende sendo.
Mas quando o diagnóstico chega… ele não ensina — ele transforma.
É como se o tempo parasse por alguns segundos.
A respiração falha, o chão some… e você se pergunta:
“E agora? Como vai ser?”
E a resposta… ninguém dá.
A vida não vem com manual. Muito menos a maternidade atípica.
Você foi lançada nesse papel sem ensaio, sem garantias, sem pausa.
Mas ainda assim… você ficou.
Você se fez abrigo.
Você buscou respostas onde não havia perguntas.
Você aprendeu a ser tradutora de olhares, de gestos, de silêncios.
Você passou a amar nos detalhes: no toque, no som, no olhar que brilha diferente.
Eu sei que existem dias em que você se sente invisível.
Que engole o choro para não parecer fraca.
Que vive entre consultas, relatórios, e esperanças cansadas.
Mas mesmo exausta, você continua.
Mesmo sem aplauso, você insiste.
Mesmo quando o mundo não entende… você entende. Porque é a mãe.
E isso basta.
Hoje, eu queria te lembrar: você também importa.
Seu cansaço importa. Sua saúde emocional importa. Seu corpo, seu silêncio, sua história — tudo importa.
Não é egoísmo olhar para si.
É necessidade.
Que você nunca se esqueça: você é colo, mas também precisa de colo.
Você é força, mas também pode ser vulnerável.
Você é luz, mas também pode apagar um pouquinho — para se reabastecer.
Mãe atípica…
Você é rara.
Você é amor que virou coragem.
E aqui, de coração para coração, eu te abraço.
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Jornalismo OAB/DF
